domingo, 28 de agosto de 2016

A maternidade é ilusão

Eu acredito que eu já deva ter tocado nesse assunto, que falarei aqui, antes.
Devido a um vídeo que está circulando esta semana, nas redes sociais, de uma menina de cabelo azul, falando sobre a maternidade, eu preciso me posicionar.
Minha filha fez 6 anos este mês.... Sim, há seis anos escrevo nesse blog...
Lembro-me de quando me vi grávida da Julia e todos me obrigavam a amar ela. Nunca esqueço das palavras de uma amiga que, na época, disse que ma ajudaria a cuidar dela, quando ela nascesse e até antes. "Você nem ama a sua filha!".
Moça, 'péra' lá. Ela se quer havia nascido. Eu estava em uma gestação indesejada, num momento inesperado e eu nunca, nunca planejei ser mãe em toda a minha vida.
Por que nos forçam sentimentos que deveriam ser construídos?
De qualquer maneira, não é sobre isso que eu queria falar, pois aqui já tem um texto sobre isso e, ironicamente, é o texto mais acessado e comentado, o que mais recebo mensagens, o que mais tem comentários no facebook e o que mais me retornam por e-mail... E, olha, eu não sabia da dimensão e da responsabilidade deste blog.
Enfim, no vídeo a moça fala o quanto é difícil ser mãe, em especial, sendo solteira. Ela explica que ama o filho, mas preferiria ser tia, seria bem mais fácil. Que abrir mão ou adiar planos é muito difícil. Que gostaria de fazer inúmeras coisas, mas não pode. Que seria muito mais satisfatório ver o filho nos tempos livres do que se responsabilizar o tempo todo.
Se você não entende o que ela quer dizer, ótimo, parabéns, você realmente deve ser extremamente satisfeita com a maternidade, mas se você entende sabe que ser mãe é cruel sim!
Ser mãe, na verdade, não tem muitos pontos positivos, não!
Nós somos julgadas constantemente, diga-se de passagem, pela repercussão desse vídeo.
Não é fácil ter que abrir mão de uma vida que você planejou, não é fácil ter que implorar para alguém te ajudar e a pessoa ainda reclamar dizendo não ser dela a responsabilidade. Você não pode pedir um tempo para si que já é apedrejada, já é a folgada, já reclamam que não dão conta. Mas você tem que dar conta sempre!
O pai? Ah, ele não consegue criar, vai ter que deixar com a avó, se for pra ficar com o pai (oi?), mas tudo bem, ele trabalha, ele é homem. Nós não, nós não trabalhamos, né? Não trabalhamos, não estudamos, não saímos. E, no fim das contas, nós não fazemos mesmo nada disso, porque o salário não compensa, porque não temos quem fique com nosso filho, porque não podemos.
Temos sempre que estarmos satisfeitas, felizes, nunca reclamar do quanto é difícil ser mãe.
Querer viajar e não poder. Querer assistir um filme e não poder. Querer simplesmente ver um programa de televisão e não conseguir.
Não vamos prolongar as abdicações, porque depois ainda nos chamarão de egoístas.
Você precisa ser perfeita em tudo. Na escola, se eu não tenho tempo para fazer a lição de casa com minha filha, a reunião de pais e professores se torna a reunião de crítica a tudo o que você é como mãe, até o que você escreve no seu próprio facebook é criticado pela diretora.
Você tem que estar presente em todas as apresentações, te forçam a isso, mesmo que sua própria filha não queira participar.
Você é obrigada a levar e buscar a criança, você é obrigada a estar em todas as reuniões escolares, você é obrigada a ser a mãe perfeita. Cadê a chinela limpa? Por que ela está sem o uniforme? Como assim o uniforme está manchado?
Nunca, nunca você serve. É impressionante.
Esses dias levei minha filha na natação e eu coloquei a touca torta... Ela não ficou retinha. Uma mãe falou "tem vezes que a gente não está com paciência, né?", eu respondi "mas eu estou com super paciência, estou ótima, super tranquila", ela me olhou com aquele olhar do tipo: então, como assim você não deixa a menina perfeita para a aula de natação?
Essa exigência que recai sobre nós, mães, é cruel!
Egoístas? Egoístas por termos vontades próprias?
Nós, mulheres, não nascemos para sermos mães, assim como os homens não nasceram para serem pais. Filhos deveriam ser uma escolha e, mesmo sendo, ainda assim não é fácil. Não é!
A realidade é essa, ter filhos é difícil. Não é fácil educar e criar uma criança. Se fosse, não existiram tantos livros, tantos programas de televisão e tantos projetos de lei, etc, etc. Tudo para tentar entender como criar uma criança e o que seria o certo e melhor para elas.
A maternidade não é um conto de fadas.
É tão absurda a forma como as mulheres são tratadas, em relação aos homens, que o homem busca e "fica" com o filho (na verdade, fica com a avó) somente no final de semana, mas tudo bem. Ele abre mão de ficar com a criança, mas tudo bem também. O homem não gosta de trocar fralda, mas tranquilo, normal. O homem não gosta de acordar a noite para ficar com o filho, mas é tranquilo. O homem não gosta de ter que colocar a criança para dormir, mas natural, não é sua obrigação. O homem, que gracinha, tem paciência para brincar com o filhão no sábado ou domingo, por algumas horas, mas a mãe não tem a semana toda porque é uma folgada. O homem não abre mão da cerveja no bar, mas o que é que tem?
Ele não precisa fazer um vídeo dizendo o quanto é difícil ter um filho, porque ele nunca entende o quão difícil é criar um filho.
Blá, blá, não generaliza. Tudo bem, paizão, fica de boa aí que não é contigo que estou falando, não é você quem estão condenando.
Eu não nasci para ser mãe. Se querem saber, me senti super representada pelas palavras daquela moça do vídeo.
Nós mulheres, mães, também temos sonhos. Nós também temos planos. Nós também temos expectativas.
Ninguém nos ajuda, ninguém fica com nossos filhos para que possamos sair (como se isso fosse crime), ninguém fica com nossos filhos para que possamos viajar, para que possamos estudar, ninguém nos oferece ajuda e ainda querem que estejamos sorrindo e agradecendo o tempo todo.
Nós também somos filhas. Se eles tem seus direitos, nós também deveríamos ter, porque nós também somos filhas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A invisibilidade materna no mercado de trabalho

Somos mulheres antes de tudo, isso é certo, mas também somos mães.
Esqueceram de nos incluir na exclusão dos incluídos, para que pudéssemos sermos tratadas de forma diferentes.
Uma mulher, que é mãe, sabe as dificuldades de se assumir em grandes ou em qualquer posição, no mercado de trabalho.
Ser mãe, dentro de um ambiente profissional, é quase um tabu.
Você tem um filho, mas também não pode falar dele ou sobre ele e, se falar, escutará apenas um "que gracinha", "que bonitinho", "que legal".
Alguma mãe já teve um momento em que foi chamada em uma conversa apenas para que pudessem escutar suas dificuldades e encontrar soluções?
Eu nunca.
Aliás, se percebe bem o contrário. Na tentativa de inclusão das mulheres no mercado de trabalho, esqueceram de questionar se as mães deveriam ser ou não tratadas de forma igualitárias àquelas mulheres que não tem filhos.
E, antes que eu prossiga, me resumo aqui às mulheres e não aos homens, porque não consigo falar por eles, apenas por mim.
Prosseguindo então, quais foram, afinal, as tentativas de entender a mãe no mercado de trabalho? Eu diria que nenhuma.
Essa é a nossa realidade, somos vistas apenas como mais-valia, esquecem que nós somos profissionais sim, mas nós temos prioridades maiores.
E, quando se trata de conversas, não há perguntas afim de concordar com soluções, mas sim apontamentos do tipo "você sabia que precisamos de você do início ao fim?" ou então "agora se seu filho tiver uma dor no dedo você vai faltar ao trabalho de novo?", também se escuta coisas um pouco absurdas como "não queremos problemas para a empresa, se for para gerar problemas e fazer com que os colegas considere que você tem privilégios porque precisou sair mais cedo, então é melhor que repensemos o seu lugar aqui na empresa".
Sim, nós precisamos de "privilégios", e sim, nós precisamos ser tratadas de forma desigual ao resto da equipe sim. Sim, somos mães. Sim, temos filhos! Sim, nós criamos eles e mesmo que tenhamos alguém para ajudar, ainda assim a ajuda não significa substituição do nosso papel!
Já está na hora de o feminismo entender que as mães precisam sim serem tratadas de maneira diferenciadas, já está na hora de nós mulheres nos posicionarmos em relação a isso.
Não é justo que com tudo que tenhamos que passar para criarmos nossos filhos, ainda nos reduzam a um problema por que temos sim nossas limitações!
Já chegou num momento em que ser mãe no mercado de trabalho deve parar de ser um tabu e ser conversado abertamente, de que os representantes das empresas repensem o modo como nos tratar e como isso pode ser benéfico a empresa.
Se esse assunto não for questionado e priorizado no mercado de trabalho, continuaremos sendo lentamente excluídas, abruptamente desprivilegiadas, substituídas ou se quer cogitadas.
Estamos há anos perdendo nossas oportunidades por sermos diferentes, estamos há séculos sendo hostilizadas por não termos opções, soluções ou por não sermos tratadas como mães, humanas e dignas.
Eu sempre soube que não seria fácil ser mãe nessa selva comercial, mas o capitalismo é mesmo selvagem, ele não dá chances, ao contrário, nos encoraja a pular, mas cortam nossas pernas.
Nós estamos pedindo, por favor, nos acolha, nos escutem, nos permita, mas não nos tratem como iguais, pois nós não somos. 

domingo, 14 de junho de 2015

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