domingo, 6 de março de 2011

A primeira vez em que chorei

Sou mãe, mãe em tempo integral, 26 horas por dia, que se desliga em stand by, não dorme, não come, não vive.
Isso é ser mãe.
Ser mãe é saber o que é o amor, senti-lo e realmente sê-lo incondicional, e ainda por mais, nem se quer esperar ser amada. 
Eu sou mãe, eu encontrei a felicidade e a plenitude magnífica da maternidade, os obstáculos superados com apenas um olhar, um sorriso ou uma palavra. 
Sacrificar cada dinheiro, cada hora no espelho, cada momento no banho ou até o programa de tv preferido. Isso sim é se sacrificar por amor.
Sim, eu sei que sou uma boa mãe e eu sei o que é ser mãe, mas esqueci o que é ser mulher.
Eu não me encontro mais, eu não sei mais quem sou eu. Tem vezes em que passo dias sem se quer olhar no espelho e saber que imagem passo.
Há meses não faço a sobrancelha e não compro roupas para mim. Não saio com os amigos e se quer como em algum restaurante ou até mesmo num fast food. 
Hoje eu chorei, não me debrulhei em lágrimas e também não solucei de chorar. Foram apenas duas lágrimas, mas elas pesaram, elas foram sofridas, foram sentidas. Foram realmente sentidas.
Pela primeira vez, desde que me tornei mãe e nada mais, percebi que não me vejo mais, que a Elisa está guardada esperando um desabrochar que nem sei quando será. 
Estou esperando que um dia eu me permita me conhecer de novo, que eu me veja no espelho, me arrume, me penteie, tome um belo banho, coma uma deliciosa comida e o papel mamífero venha depois. 
Hoje foi a primeira vez em que me dei conta de que preciso de mim. "Eu também preciso de um tempo, Julia!". 
Falar isso em voz alta para minha filha me fez parar tudo e refletir. "um tempo"? Eu não sei o que é isso.

3 comentários:

  1. a gente esquece da gente e se dedica integralmente.
    claro, vale a pena... mas nos damos conta de que a gente existe ainda.

    sou como você.
    mulher, mãe e solteira.
    e é bem difícil encontrar um tempo pra nós mesmas.

    eu li esse seu post e me identifiquei.
    não sei se serve de algum consolo.
    mas saiba que você não está sozinha nessa.

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  2. Ma, é bom saber que não sou a única. obrigada.

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  3. Ass: Eu.
    Poderia muito bem ter escrito esse texto. Aliás, isso faz parte do universo de quase todas as mães. E, olha, chorei muito...por ter perdido a minha identidade.
    Não lia mais os MEUS livros, só lia sobre maternagem; passei séculos sem comprar roupas e só andava da forma mais confortável possível. Pra ter ideia, nem minha bolsa, eu usava mais. Andava somente com a bolsa do bebê...agora, estou no tempo de redescobrir, de me namorar...
    E, sorte a nossa, esse momento, inevitavelmente chega!
    Beijo pra vc, que foi tão corajosa em assumir!

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