quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sendo menino ou menina, sempre é difícil!

Esses dias saí com um amigo meu. Deixei a Valentina com minha mãe e lá fomos nós, fazer alguma coisa, em pleno domingo a tarde (ou seja, nada...).
Sentamos na praça de alimentação do shopping e lá ficamos por horas, conversando. É claro, naturalmente, que a conversa sobre maternidade surgiu. Falamos da minha filha, da minha vida com ela e logo surgiu o comentário "você gostaria de ter um menino?".
Logo respondi, "não agora, né? Mas sim, pretendo, quero muito um rapaz, quero três filhos. Já tenho uma, faltam dois, mas um tem que ser menino. rsrsrs".
O que ele falou depois é algo que todos falam, aliás, algo que a maioria pensa; "Criar filho homem é mais fácil, né?".
Criar filho homem é mais fácil? Não!
Criar uma menina é bem mais fácil que criar um homem. Os valores sociais são impostos sobre a mulher, a maioria é ensinado na marra. Menina não pode fazer isso, não pode fazer aquilo. "Não senta com a perna assim","não anda desse jeito", "não usa essa roupa", "não fale desse modo", "seja delicada", entre outras tantas coisas mais.
A mulher sabe muito bem como se portar. A começar pela mãe. Uma criança de 3 anos que ainda mama no seio da mãe já é acostumada a comentários do tipo "cubra o seio", "uma menina dessa idade no peito da mãe". O que ela aprende? Que amamentar é visto como algo errado, feio. E por que? Porque mostra o seio da mãe. E não só isso, mas vamos nos ater a isso.
Então amamentar é feio por mostrar o seio? Mas um homem pode andar sem camisa pela rua e não ser criticado. Eu ODEIO homem que anda sem camisa. Eu não quero ver seu corpo, por favor se cubra! Para mim, isso sim é uma falta de respeito.
O que eu percebo é que criar filhos homens é mais fácil porque o preconceito e o machismo predomina. Quando percebermos que criar filhos homens é o maior desafio de uma mãe, aí sim poderemos nos realizar como mães e mulheres, e recebermos mais respeito.
Um rapazinho tem que saber que tanto ele quanto a menina tem as mesmas responsabilidades e os mesmo valores. O que se aplica em um, também se aplica no outro.
Eu quero sim um filho "barão", mas esse barão vai ter muito mais o que aprender que a minha filha. Enxergar que independente do sexo, somos seres humanos com valores que se aplicam justamente a todos (pelo menos em teoria).
Quando isso acontecer a mulher não será mais vista como um produto, um objeto. Não receberá menores salários, não será alvo de machismo, não precisará se preocupar com amamentação em público, já que receberá respeito mutuo, não precisará lutar por um parto normal (sim!).
Nós mulheres somos responsáveis pelo machismo que ainda existe. Os pais (quando presentes) tem sua culpa? Sim, tem. Mas a questão é que tudo caminha numa nova direção. Claro que as coisas estão mudando, até pouco menos de 8 anos, na constituição, a mulher poderia ser "devolvida" para a família se o homem casasse com ela e descobrisse que ela não era virgem. Então sim, as coisas estão mudando, mas lentamente.
Se tivessemos liberdade para decidir sobre aquilo que se refere a nós, mulheres, muitas coisas seriam diferentes. Ao se tratar do aborto, por exemplo, que é permitido em alguns casos no Brasil, em nenhum lugar tem uma assinatura de uma mulher. Se quer que seja proibido, certo, mas por que as mulheres não estiveram presentes nessa decisão, assim como em tantas outras?
Mas sem me desviar tanto do assunto finalizo dizendo que filhos homens ou filhas mulheres, não importa, são todos merecedores do mesmo valor. Nossos filhos não podem ser vítimas do próprio machismo, podem chorar, podem dançar ou o que quer que seja, mas não podemos mais criar novas vítimas. Pelo menos para mim chega!

Um comentário:

  1. te vi na comunidade no orkut e passei aqui para te seguir e compartilharmos coisinhas da gravidez... bjao

    meu blog, se quiser add:
    http://casoriodejulieandrews.blogspot.com

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