sábado, 21 de maio de 2011

Mãe de merda e A Mãe Perfeita

Há algum tempo encontrei no twitter o @maedemerda. Até aí "tudo bem", até porque ironia há sobre tudo e todos, mas hoje a surpresa foi maior. Encontrei o @dorianamae, A mãe perfeita.
Achei os dois ridículos.
Entendo que ambos ridicularizam os esteriotipos de mãe, mas ambos são completamente infantis e errôneos. 
Ambos os perfis padronizam o tipo de mãe que devemos ser. Ou você é a mãe que quer sempre ser perfeita ou você é uma mãe "comum".
Além de discriminar a mulher que quer sim encontrar o melhor meio de exercer a maternidade, também ridiculariza, mas de forma irônica as mães "comuns". Quer dizer, você não pode tentar ser uma mãe perfeita, você tem que ser que nem todas as mães aí da sociedade.
Honestamente não me encaixo em nenhum desses tipos de mães. Sou uma mãe que quero fazer o melhor para a minha filha e não para mim em primeiro lugar.
Sempre digo que desde quando assumi colocar minha filha no mundo nunca mais pensei em mim em primeiro lugar, desde o parto até o fim da minha vida. Até porque, quando se tem um filho nós é que devemos nos adaptar a rotina deles, até que eles entendam que devem também seguir uma rotina. 
Achei um desrespeito tremendo a ridicularização que fazem sobre a mãe que amamenta prolongadamente seu filho, como "minha mãe é uma desnaturada, n me amamenta + há uns 25 anos. posso tomar meu próprio leite?" ou "Aqui mesmo já contei zilhões de vezes do meu primo q, antes da entrevista d emprego, foi amamentado pela mãe - e foi contratado!".
Isso é um absurdo! Nós mães que amamentamos sabemos o sacrifício que é para superarmos preconceitos e desrespeito por parte das outras pessoas, os "telespectadores". Mulheres curtindo com a cara das próprias mulheres a custa de que? De uma comédia?
Sinto muito, mas não faz meu tipo. 
E para ser sincera o Mãe de Merda nem é tão agressivo assim, o que me chocou mesmo foi o tal de Mae Perfeita, porque este sim, é uma falta de respeito com todas as mães que tentam exercer de forma mais instintiva a maternidade. Se não temos o direito de sermos respeitadas pelas próprias mulheres, então damos motivos para os homens fazerem o mesmo! Triste.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Medo do parto: Normal ou Cesariana?

A questão do medo é que está enraizado na cultura brasileira que a mulher não é capaz, que a gravidez é uma doença e deve ser acompanhada por um médico. Não é atoa que o Brasil agora é o país com o maior número de cesarianas no mundo, isso não é o ideal, nem o natural.
Um parto normal, natural, tem tudo para dar certo. Um parto domiciliar para uma gravidez de baixo risco é maravilhoso.
O que devemos prestar atenção, ao incentivar o parto normal, não é apenas referir-se as dores postumas ao parto cesariano, mas também ao fato de ser de maior risco para a mãe e para o bebê, sendo 2,7 vezes mais risco de morte materna que um parto normal, além disso a mulher deixará de protagonizar um momento tão emocionante, tão gratificante e forte, de ligação com o próprio ventre e com o bebê que virá ao mundo.
A sensação de que conseguiu, de que conseguiram, de uma experiência única e inexplicável, pois de fato é.
O parto é um evento que DEVE ser demorado, a mulher e o bebê estão sendo avisados que passarão por um novo ciclo, o processo de nascimento. Hormonios são liberados na corrente sanguinea da mãe e do bebê, estimulando o estresse, avisando ao filho que ele nascerá.
A dor é parte do processo, e ela avisa o corpo de que tudo está indo bem, normalmente.
O ideal também é que a mulher busque informações: Por que eu quero uma cesariana? Que imagem eu tenho de parto normal? Como eu posso mudar isso? E por que eu quererei mudar essa minha opinião/visão?
Uma cesariana hoje em dia com certeza não tem o mesmo pós operatorio que antes, muitas mal sentem dor, os riscos são menores (apenas 2,7 vezes mais que um PN), fazê-la é prático hoje em dia, mas por que devo fazê-la se ela é uma cirurgia para salvar vidas e não para rotina?
Sem contar que não devemos nos limitar à opinião do médico.
A maioria não quer "perder" tempo acompanhando uma mulher que queira um parto normal, que pode levar dias, para que no fim das contas ganhe R$600,00.
Concordo, é pouco, mas ele não faz todo o trabalho, aliás, não faz trabalho algum e ainda ganha por isso. Um médico deveria acompanhar um parto e casa ocorra um imprevisto intervir.
Ele não precisa querer fazer um parto, ficar de hora em hora indo fazer o exame de toque (que não precisa se feito, a não ser que a gestante peça ou que o tempo de TP* seja mais que 12 horas, por exemplo).
Hoje fiquei chocada. Assisti A História de um Bebê. Programa que passa no Discovery Home e Healt. Fiquei muito triste pela parturiente, já que ela foi completamente enganada e iludida.
Ela chegou ao hospital em TP, pouco mais que um centímetro de dilatação e foi internada. Deram-lhe ocitocina, mandaram-na ficar deitada o TP inteiro (enquanto durou). Ela não queria peridural, mas com 4 cm já não estava aguentando, e lhe deram.
Esse foi o fim. Já li que o TP pode estagnar após analgesias, o coração do bebê pode diminuir de batimentos e o TP evolui para uma cesariana, que antes era descabida.
Após a analgesia ela começou a tremer, o corpo inteiro e incontrolavelmente. O batimento cardíaco do feto diminuiu, mas não drásticamente. A equipe médica pediu para que ela se movimentasse (ah, sério?), assim o bebê poderia ficar numa posição adequada e a oxigenação chegaria melhor até ele. Foi o que ela fez e tudo deu certo.
Até que o médico dela chegou. 7 cm, e ele disse: Não vou mentir para você, está muito demorado, acho que deveremos fazer uma cesariana, mas vamos ver.
Vamos ver, acho que é essa a palavra que todos os enganadores dizem. Uma hora depois (ela continua deitada) e ele faz o exame de toque e diz: 7, de novo. Olha, você está bem, o bebê está bem, mas esse é o sinal de que seu corpo não quer trabalhar, vamos fazer uma cesariana.
Todos, absolutamente todos da família choraram desesperadamente.
Me desculpe, mas doutor, você errou, e feio.
O que quero dizer com essa história é que se tivermos o poder da informação, do conhecimento nas nossas mãos nada nos impedirá de ter um parto idealizado, quisto, normal.
Mas não me inspirei nesta história para fazer esse post de última hora e sem nem saber que viraria uma postagem no meu blog. Estava fazendo um comentário Nesta Matéria e virou esse tremendo comentário, que quis colocar aqui.
OBS: TP = trabalho de parto.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Meu Primeiro Dia Das Mães!

Dia 8 de maio de 2011.
Essa foi a data do dias das mães do ano de 2011. Escrevo para que sempre seja lembrada, pois esta data foi o dia do meu primeiro dia das mães.
Sentimentos guardados costumam emergir em datas especiais, pelo menos para mim é assim. Neste dia não foi diferente.
Um dia antes, sábado, eu já estava comemorando. Comprei comes e bebes dos melhores. Passeei, brinquei com minha filha e comemorei como se fosse o segundo domingo de maio. Mas ainda não era.
Domingo eu acordei simplesmente extasiada. Era uma emoção impressionante sentir e saber que eu poderia comemorar aquele dia, eu agora sou mãe!
Foi um dia lindo, um sol maravilhoso entrou pela janela do quarto e irradiou todo o espaço em que estávamos, eu e Julia Valentina. Um vento fresco, o dia realmente estava lindo!
Acordamos e lá fui eu querendo mostrar ao mundo que eu era a nova mãe na área, comemorando o meu dia. Demos um passeio na rua, "tomamos" Sol e voltamos para casa.
Eu não poderia deixar aqueles momentos passarem em branco, tirei várias e várias fotos e que fotos. Cada uma mais linda que a outra!
Havia um bolo de nozes com chocolate que eu havia comprado um dia antes, ele me aguardava. Corri para a padaria e comprei salgadinhos, refrigerantes (que aqui em casa só para datas comemorativas), docinhos, enfim tudo o que uma festa tinha direito.
É engraçado, só havia eu. Eu e a Julia, claro. Havia também minha mãe, pois também era seu dia (Apesar de eu dizer que agora o dia dela era o dia da avó rsrs) e meu pai ( que fica no canto dele). No entanto parecia uma festa, aquela com mais de cem pessoas, um mega evento.
Eu comemorei como se fosse o dia em que eu tivesse tomado consciência da vida e de como ela é maravilhosa, porque de fato foi como se fosse, mas mais do que tudo eu tomei consciência de que o dia das mães é na verdade o dia dos filhos.
Nada teriamos para comemorar se não fosse por nossas crias. Eles nos deram a dádiva, o prêmio, a felicidade eterna de sermos mães e graças a nossas crias temos o que comemorar. A vida. Os filhos. O ser mãe.
Portanto aqui vai meu cartão de dia das mães, que tanto idealizei:
Minha filha, neste dia tão maravilhoso, tão especial, tão quisto, eu tenho que agradecer. 
Sim, eu que lhe agradeço, por ter me tornado mãe. 
O meu presente maior é você.
Filha, eu só sei amar você! Obrigada por me permitir ser a melhor mãe que eu poderia me tornar, por fazer de mim uma pessoa melhor. Por sempre me colocar no meu devido lugar. Por me ensinar a ter paciência e sabedoria, por me permitir errar, questionar. Por me mostrar o que é o amor. Por fazer com que eu veja a beleza da vida e de viver. Por me permitir romper preconceitos e conhecer o meu coração como de fato nunca conheci.
Julia Valentina, minha filha, nasceu no dia 17 de agosto de 2010. Nasceu no mundo uma nova pessoa, e fez renascer-me. Me fez mãe e uma nova mulher.
Obrigada minha filha, obrigada Deus. E Feliz Dia das Mães!




segunda-feira, 2 de maio de 2011

O amor que não cabe no peito.

Eu nunca entendi essa frase é tanto amor que não cabe no peito.
Como assim, amor que não cabe no peito?
Eu sempre amei, desde quando me entendo por gente vivo falando eu te amo, seja para minha mãe ou meu pai, para minha irmã ou para minha avó; eu sempre amei. 
Nasci e vivi amando, como filha, como mulher, como prima ou neta, mas nunca como mãe. Até 8 meses atrás. 
Quando minha filha nasceu foi amor instantâneo. Eu me lembro do médico a segurando pela nuca e pelo bumbum, assim como todos fazem ao pegar os filhos paridos. Foi uma sensação inexplicável e eu a queria comigo, por perto. Assim que ela nasceu falei: Filha, não chora, a mamãe está aqui. 
Ela parou de chorar, ela ficou ali, na minha barriga, ouvindo o barulho que escutou pelos nove meses passados e sentindo meu cheiro, minha voz. Foi realmente emocionante.
Mas não era esse amor, não era o amor que de tão forte não cabia no peito. Pelo menos não ainda. 
Hoje minha filha acordou mais ou menos uma hora depois de tê-la posto para dormir. Era por volta de 19:30. Mas eu estava prestes a tomar banho, e pedi a minha mãe, que estava aqui, para que a pegasse, enquanto eu tomava banho e ficasse com ela, no quarto, para que ela voltasse a dormir.
Não foi o que ocorreu. Julia Valentina chorou. Chorava compulsivamente e nada no mundo a fazia parar, a não ser eu. Me dei conta de que ela me queria, coloquei uma roupa e fui ao seu encontro.
Assim que peguei minha filha no colo ela parou de chorar mas, logo que se deu conta de que ao adormecer a poria no berço novamente, ela novamente chorou. Mas dessa vez foi um choro forte, um choro sofrido, daqueles que fazia tempo que não escutava. Não era de dor, era de tristeza mesmo.
Ela ficou decepcionada por não tê-la pego e sim minha mãe. 
Eu entendi a mensagem, fechei a porta do quarto, acendi aquela luz de tomada e a coloquei em cima da minha cama. Acariciei suas costas e logo ela foi se acalmando e pegando novamente no sono. Ela então veio em direção ao meu peito, e ofereci-o a ela, que em segundo dormiu, desmaiou. Talvez pelo cansaço de tanto chorar, talvez pelo sono, ou simplesmente por tudo isso e pelo conforto de me ter por perto.
Até então nunca tinha colocado minha filha para dormir com uma luz acessa, possibilitando que eu a visse dormir. 
Ela estava com a perna direita em cima da minha e a esquerda em baixo, igual quando colocamos as pernas sobre o travesseiro quando dormimos. Com o braço ao redor da minha cintura e o rosto no meu peito. O corpo meio que de lado caido na cama. Sim, tudo confuso, mas o mais próximo de mim possível.
Assim que vi aquela imagem não me aguentei, eu senti tanto amor, tanto querer por minha filha, tanto... eu não sei a palavra, acho que ela não existe, não existe porque é tanto amor que não cabe no peito!
E não cabe mesmo, parece que vai explodir, parece que o coração está em aceleração total e crescendo, como se fosse uma massa de pão!
É bizarro de explicar porque é difícil de entender, é inexplicável.
Minha filha, um ser que simplesmente eu fiz, eu desenvolvi e pari. Que alimento, que cuido, que dou carinho e que requer minha presença sem condições. Como não amar?
Se eu não sabia que amor era esse, agora eu sei, é um amor que não se denomina amor, simplesmente porque não existe de outra forma a não ser pela própria cria, simplesmente é.