segunda-feira, 2 de maio de 2011

O amor que não cabe no peito.

Eu nunca entendi essa frase é tanto amor que não cabe no peito.
Como assim, amor que não cabe no peito?
Eu sempre amei, desde quando me entendo por gente vivo falando eu te amo, seja para minha mãe ou meu pai, para minha irmã ou para minha avó; eu sempre amei. 
Nasci e vivi amando, como filha, como mulher, como prima ou neta, mas nunca como mãe. Até 8 meses atrás. 
Quando minha filha nasceu foi amor instantâneo. Eu me lembro do médico a segurando pela nuca e pelo bumbum, assim como todos fazem ao pegar os filhos paridos. Foi uma sensação inexplicável e eu a queria comigo, por perto. Assim que ela nasceu falei: Filha, não chora, a mamãe está aqui. 
Ela parou de chorar, ela ficou ali, na minha barriga, ouvindo o barulho que escutou pelos nove meses passados e sentindo meu cheiro, minha voz. Foi realmente emocionante.
Mas não era esse amor, não era o amor que de tão forte não cabia no peito. Pelo menos não ainda. 
Hoje minha filha acordou mais ou menos uma hora depois de tê-la posto para dormir. Era por volta de 19:30. Mas eu estava prestes a tomar banho, e pedi a minha mãe, que estava aqui, para que a pegasse, enquanto eu tomava banho e ficasse com ela, no quarto, para que ela voltasse a dormir.
Não foi o que ocorreu. Julia Valentina chorou. Chorava compulsivamente e nada no mundo a fazia parar, a não ser eu. Me dei conta de que ela me queria, coloquei uma roupa e fui ao seu encontro.
Assim que peguei minha filha no colo ela parou de chorar mas, logo que se deu conta de que ao adormecer a poria no berço novamente, ela novamente chorou. Mas dessa vez foi um choro forte, um choro sofrido, daqueles que fazia tempo que não escutava. Não era de dor, era de tristeza mesmo.
Ela ficou decepcionada por não tê-la pego e sim minha mãe. 
Eu entendi a mensagem, fechei a porta do quarto, acendi aquela luz de tomada e a coloquei em cima da minha cama. Acariciei suas costas e logo ela foi se acalmando e pegando novamente no sono. Ela então veio em direção ao meu peito, e ofereci-o a ela, que em segundo dormiu, desmaiou. Talvez pelo cansaço de tanto chorar, talvez pelo sono, ou simplesmente por tudo isso e pelo conforto de me ter por perto.
Até então nunca tinha colocado minha filha para dormir com uma luz acessa, possibilitando que eu a visse dormir. 
Ela estava com a perna direita em cima da minha e a esquerda em baixo, igual quando colocamos as pernas sobre o travesseiro quando dormimos. Com o braço ao redor da minha cintura e o rosto no meu peito. O corpo meio que de lado caido na cama. Sim, tudo confuso, mas o mais próximo de mim possível.
Assim que vi aquela imagem não me aguentei, eu senti tanto amor, tanto querer por minha filha, tanto... eu não sei a palavra, acho que ela não existe, não existe porque é tanto amor que não cabe no peito!
E não cabe mesmo, parece que vai explodir, parece que o coração está em aceleração total e crescendo, como se fosse uma massa de pão!
É bizarro de explicar porque é difícil de entender, é inexplicável.
Minha filha, um ser que simplesmente eu fiz, eu desenvolvi e pari. Que alimento, que cuido, que dou carinho e que requer minha presença sem condições. Como não amar?
Se eu não sabia que amor era esse, agora eu sei, é um amor que não se denomina amor, simplesmente porque não existe de outra forma a não ser pela própria cria, simplesmente é.

Um comentário:

  1. Lindo e verdadeiro.
    Conheço esse amor. Por ser mãe.

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