terça-feira, 14 de junho de 2011

As perguntas Cretinas

Muita gente vem falar comigo com pena. Com aquela curiosidade maldosa, com aquelas perguntas cretinas e mais parece que querem ouvir aquela resposta infeliz do que qualquer coisa na vida.
“Nossa, mas você está com quantos anos? Você já tem filha? Meu Deus, e vive aí, com seu pai? E seus pais como estão em relação a ela? E aí, parou de estudar? Você ta fazendo o que?”
Me pergunto se é pura ignorância ou se é por implicância mesmo. Será realmente que eu precisaria responder? Por que não me perguntam coisas do tipo: Você está bem? Nossa, como sua filha é linda. Vocês brincam muito? Seu pai gosta de passear com ela? E os estudos vão bem?
Mas sabe o que é mais engraçado, eu também faço o mesmo (acredito que hoje posso dizer “fazia”). Esses tempos um amigo me informou da gravidez de uma conhecida (que não gostávamos muito). Não sei por que, e me envergonho de dizer isso, eu ri.
Ri como se dissesse: está vendo, você achou tão engraçado comigo, pensou que isso nunca iria te acontecer, e agora?
E hoje me pergunto por que pensei essa estupidez. Minha ignorância na hora foi de pensar o que todos pensam, é claro: Está vendo? Agora eu quero ver, com filho pra criar. Ah, agora sim, acho é pouco.
Burrice a minha. Eu poderia dizer que mal sabia eu que o que eu pensara era a coisa mais idiota do mundo. Mas a verdade é que eu sabia.
Então, o que me levou a pensar dessa forma?
Para dizer bem a verdade, a resposta eu não sei. Talvez pela criação, minha mãe falando sempre que filhos são as piores coisas do mundo. Talvez pelo massacre social à mulheres (nunca homens) que tem filhos fora do casamento. Mas a verdade é que até em casamentos, quando se avisa que quer ter filho, sempre há alguém para criticar, para crucificar a maternidade.
Então, me pergunto novamente, por que eu ri?
Porque no auge da minha burrice eu deixei transparecer o meu senso comum, o meu “pior lado”.
Um filho não é simplesmente uma benção porque dizem ser. Ter um filho significa mudança. E quando se tem filho a vida muda, para melhor.
O amor inexplicável torna a ser inexplicável, e o amor incondicional realmente torna-se real, ele passa a realmente existir. Traz luz para a casa, literalmente traz luz para casa, queremos mais janelas e portas abertas, porque queremos ver o dia lindo de chuva ou de sol lá fora. Ter um filho em qualquer situação (digna) que seja é uma dádiva e com ele vem transformações, felicidades, maiores alegrias, satisfações e a vida torna a ter sentido. Ela faz sentido.
Portanto, voltando ao cerne da questão, ao me perguntarem se a minha vida está boa, se alguém está aceitando minha filha (nunca intendo essa indagação) e se estou fazendo alguma coisa.
Bom, será que posso responder que estou evoluindo mais do que você, e mais satisfeita?

3 comentários:

  1. Nossa ... andei lendo muitos textos que dizem que por mais dificil que a situação esteja nao podemos negativar isso pois se não nossos filhos vao pensar sempre no negativo.
    E acho que antigamente nossos pais pensavam assim e transpareciam isso pra gente ... sei que criar um filho não é facil mas ser mãe tem todas as suas recompensas que deixam para traz qualquer coisas que possa ter sido ruim naquele momento.
    beijos

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  2. Olha.. sabe aquela pessoa que tu não imagina MESMO tendo filho? pois é. sou eu. sou desorganizada, não sei cozinhar, não sei cuidar da casa e não sei fazer absolutamente NADA do que é "pré-estabelecido" para uma "mulher" fazer. Tenho um filho de um mês cujo pai deixou de ser meu namorado na noite anterior ao parto. Fico pensando nisso o tempo inteiro e me sinto egoísta por estar dando importância somente ao que EU sinto. Não sei ainda te dizer se não julgaria alguém pela idade, pelos avós estarem fazendo o papel de pai da criança mas uma coisa eu sei: chorei lendo teu post. Acho que é isso que se chama AMOR INSUBSTITUÍVEL e AMOR ETERNO.. amor esse que não se encontra em qualquer relacionamento e sim nesse sentimento incrível e indescritível que é SER MÃE. :)

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  3. Tamyriz, nunca quis e nem me imaginei mãe, mas sendo mãe mudamos, é inegável. Se assumirmos as responsabilidades de forma integral e soubermos que nossas obrigações e papéis são intransferíveis não temeremos e aprenderemos muito com isso.
    Avô e avó não fazem e nunca farão o papel do pai, o pai existe, mesmo que ausente, lembre-se disso.
    Abraços.

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