segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Não eduque, bata!

Não posto no blog com frequência, mas isto é porque eu gosto de escrever não o clichê, mas aquilo que realmente faz a diferença. E esse é um assunto que, para mim, faz total diferença.
Esses dias estava eu no hospital. Não me sentia bem então logo após o trabalho fui ao médico. Lá há uma recepção e claro, todos estavam sentados esperando o atendimento.
Então que me chega uma mulher com a sua mãe e sua filha. Elas me chamaram a atenção, até porque a menina tinha mais ou menos a idade da minha, talvez uns meses a mais, e ela era negra e a mãe branca, assim como eu e minha filha.
Sendo assim fiquei reparando nas duas. Eis que a menina começa a brincar, afinal é um bebezinho e não aguenta ficar parado. Totalmente compreensível, mas na cabeça da mulher acho que não...
Bom, a mulher pegou a menina rispidamente, com a maior grosseria a colocou sentada no banco da lanchonete e a mandou ficar quieta, isso enquanto a mulher comia. Quem tem filho sabe que é um tanto contraditório a gente comer na frente deles e não oferecer nada, mesmo sabendo que o menino não quer. Enfim, ela não ofereceu nem um pedaço do salgado e a menininha, lógico, tentou tomar da mão dela. A mãe lhe deu um belo e alto tapa, um daqueles que mesmo quem não estava olhando já sabia do que se tratava e, logo em seguida gritou com a menina, fez uma briga, falou pra ela ficar quieta e enquanto isso batia na mão dela.
Ok, tudo bem, são os malditos tapas educativos.
Os resultados desse péssimo comportamento da mãe veio logo em seguida.
A avó resolveu pegar a menina. A avó que por sinal riu de tudo o que a mãe fez anteriormente.
A menina não queria ir para o colo da avó e deu-lhe um tapa e gritou bem alto. E a avó mandou ela não dar tapa e, obviamente, ela deu outro tapa na vovó. E, consequentemente a vó dela disse: olha fulana (referindo-se a mãe) , que menina abusada!

O que??????????? Como assim abusada? Você colhe o que você planta. Se não queria que a sua filha tivesse tal comportamento por que o fez com ela antes? Qual o problema dessas pessoas?
Como você quer que seu filho seja educado, não grite e nem brigue e muito menos bata se você faz justamente o contrário?
Meu Deus, o que há com vocês que batem em seus filhos? Que dão tapas? O que há com a cabeça e a sanidade mental de vocês? Será que não percebem que estão ensinando justamente o contrário?
Crescerão vagabundos? Bom, aposto que o Nem e o Fernandinho beira mar ou até mesmo o casal Nardone apanharam quando crianças, isso não tornou eles as melhores pessoas do mundo.
E os meninos que estão batendo em outros colegas na escola? Será que você realmente acredita que não apanham em casa?
Quem não apanha em casa se espanta com esse tipo de comportamento, acha animal ver uma pessoa batendo na outra, até porque está fora de sua realidade.
Quem não apanha aprende que a calma é fundamental. Quem perde a cabeça e a razão é aquele que precisa gritar, bater, esperniar.
Se você não tem paciência de ensinar mil vezes a mesma coisa ao seu filho, de repetir mil vezes que ele não pode fazer isso ou que pode fazer aquilo então não tenha filhos, porque certamente você não está preparado.
Para mim bater em um filho é como o estupro. Sim, comparo surra com estupro, pois é algo que não é consentido, que invade o corpo do outro e que traz sequelas para o resto da vida, tanto psicológicas quanto físicas (e não é porque você não tem sequelas psicológicas que não significa que outras pessoas não tenham).
E não me venha com essa historinha de nunca diga nunca, de que um dia eu vou precisar. Não me venha com essa conversinha de gente que não tem o mínimo de compreensão e que não sabe o tipo de linha de criação que quer seguir, a não ser aquela repetitiva e que todos dão (e que dá menos trabalho).
Fica aqui a minha indignação em relação a atitudes tão banais e tão naturalizadas na sociedade.
Violência gera violência, e se você sabe disso, por que preserva?