segunda-feira, 27 de maio de 2013

Aquela dor doída

Hoje o que eu sinto é dor.
Uma dor irremediável, uma dor incurável e que não vai passar, não vai, eu sei que não. Essa dor só aumenta, ela é sentida em todas as datas comemorativas, em todos os aniversários, a todo momento em que queremos dividir.
Essa dor que sinto hoje é um misto. Misto de raiva, tristeza, de revolta.
Isso não vai passar, eu sei, mas com o tempo eu acho que a gente controla e passa a não chorar mais, nem se lamentar, apenas entender, compreender e se acalmar com mais facilidade.
Essa é a dor da perda, do Luto, aquela tristeza de que nunca mais, mas nunca mais mesmo, eu conseguirei te abraçar e nem escutar sua voz.
Me encho de lágrimas porque meu homem, meu único homem foi embora, você agora é meu anjo, meu guia, mas nunca deixará de ser meu irmão.
Poxa cara, por que você fez isso? Por que você nos deixou? Essa não é a ordem natural, não tá certo, por que você deixou o papai e a sua mãe?
Eu to revoltada! Você deveria estar aqui agora! É aqui aonde você deveria estar.
Meu Deus, eu quero o meu irmão.
Quem é que vai falar "Cadê a feinha do tio"? Quem é aquele cara que inventa do nada apelido em todo mundo, aquele irmão que me chamava de "filinha", que chamava sua esposa de "bella", onde ele esta?
Ê Vlader, você se foi cedo demais, mas cumpriu seu legado. O meu sobrinho, que antes eu via com aquele olhar delicado, aquela criança, que nada, engano meu, hoje ele é um homem. Ele segurou mano, ele não se abalou, se manteve firme e recordou do que você sempre dizia a ele.
Meu sobrinho me chamou: Elisa, ele sempre falava "se algo acontecer comigo, não para a vida por causa de mim não, olha pra frente e continua sua vida", ela continua, mas não precisava ser sem você.
Eu sinto muito Vlader, eu sinto mesmo. A dor é forte demais, o sofrimento é inevitável, não foi fácil.
Não foi fácil, não foi fácil ver meu pai tão firme, mas ao levá-lo, vê-lo segurar com todas as forças seu choro, ele não chorou, ele não quis chorar, até se dar conta de que não teria mais volta.
Eu perdi mais que um irmão, eu perdi meu protetor, meu fiel companheiro, meu amigo para todas as horas, meu briguento com coração mole, aquele cara que só queria saber da família, o único tio da minha filha, o único homem da família, o maior torcedor da fiel, o churrasco de todo domingo, o passeio para a chácara, o aniversário de 13 de maio, o filho, o pai, o irmão, o tio, o esposo, o padrasto. Hoje é o primeiro dia sem você, para toda uma vida, mas tudo o que você fez não foi para você, foi pela sua família, e é isso que vai ficar de você, a família que você formou e que eu não vou abandonar nunca, e que será lembrada para sempre, junto com a sua memória.
Adeus meu irmão, adeus.