domingo, 4 de agosto de 2013

Ser mãe é tomar a culpa



Hoje vi esta imagem no Facebook, não que não a tenha visto antes, na verdade já havia visto sim, no entanto hoje me deu uma necessidade enorme de escrever sobre ela. 
É absurda a mente da sociedade. Estamos em pleno século XXI, mas quando nos tratamos das mulheres perante à sociedade é como se estivéssemos no século XVIII, quando as mulheres, na Revolução Francesa, foram condenadas, massacradas e até condenadas a morte por quererem se equiparar aos homens. 
Não me surpreende uma sociedade tão sexista, já que até mesmo Rousseau ou Descarts, grandes filósofos, baseavam suas pesquisas e seus estudos acreditando que a Natureza feminina é tão desigual psicologicamente quanto fisicamente, sendo portanto tão desequilibrada que exige-se que seja controlada. 
A sociedade naturaliza tanto a maternidade e ao mesmo tempo a condena. Desde bebês as meninas são condicionadas a criar de seus próprios bebês, mesmo que de plástico. A não sair da condição de mãe, como se a função biológica da mulher de gerar um filho, determinasse sua função perante à sociedade. Sendo geradora, a mulher portanto não poderia ser mais nada além de mãe?
Por favor... o século XIX, da descoberta da obstetrícia e, portanto, da determinação da ambiguidade do caráter feminino, já acabou; nós o superamos e evoluímos. Não temos tempo de ficarmos parados no tempo. 
Acho incrível onde ao mesmo tempo em que vê-se no ventre a capacidade brilhante de reprodução, também se vê a fonte de todos os males. 
Continuando meu raciocínio sobre esta imagem, me lembrei de Sant'Anna, que em seu livro "Canibalismo Amoroso", mostra o quanto as mulheres são vista apenas como comida. Na cultura brasileira isso é tão naturalizado que nem se percebe. Somos vistas como gostosas, extremamente palpáveis e feitas para a satisfação masculina. 
Quem ensina isso aos seus filhos? Certamente uma mãe omissa e um pai que teve esse mesmo conceito como herança. 
Seria absurdo criar a filha para satisfazer o homem, realizar trabalhos domésticos, ser mãe e, assumir tudo isso, mesmo sendo uma trabalhadora e/ou estudiosa. Exige-se e culpa-se apenas a mulher pela consequência da gravidez. Quanto ao homem, este nunca é digno de cuidar de uma família e dividir os trabalhos domésticos, mas único e exclusivamente "colocar dinheiro em casa". 
Não me surpreende portanto que a mulher seja a única responsabilizada, desmoralizada, massacrada, julgada, condenada, ridicularizada, Culpada por uma gravidez indesejada. 
Por último, gostaria de salientar as palavras da nossa querida Ana Paula Vosne Martins (a qual sou apaixonada por seus estudos); O problema maior para as mulheres do século 21 é a permanência de uma visão naturalizada da maternidade e mesmo da mulher, que contribui para a falta de tempo, a frustração em não conseguir fazer tudo ao mesmo tempo e a insegurança em não se adequar aos padrões culturais da mulher que trabalha, é competente e ainda por cima e por baixo é uma mãe maravilhosa. 


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