sexta-feira, 23 de maio de 2014

A surra e suas consequências

Foi aprovada, em primeira estância, a Lei Menino Bernardo, ou a lei da palmada. 
No mesmo dia em que isso aconteceu uma mãe teve a guarda do filho transferida aos avós, por ter dado um tapa na cara da criança de 6 anos, no meio de um restaurante. 
Se a atitude foi drástica eu não sei, mas também não quero imaginar o que essa criança passava em casa, pois se em lugar público isso aconteceu, imagine num lugar onde a mãe reina?
O fato é que bem como estupro, bater em alguém é ilegal, imoral e hediondo. Até que ponto vai o limite dos pais ou responsáveis em relação ao corpo daquela criança ou daquele adolescente?
Observar e entender isso é também buscar novas alternativas de educação para com seus filhos.
Qual será a nova forma de educação aplicada pelos pais diante dessa nova lei? Afinal, será que somente as surras se enquadram aí?
Diante dessa dúvida me lembrei do caso de um menino de 5 anos que foi deixado no sol, nu e na porta de casa, ao lado de seu colchão molhado pela sua própria urina.
Afinal, um castigo como esse não merece atenção?
Definitivamente não são só as surras que causam traumas quase que, se não de fato, irreversíveis, mas também castigos que geram humilhação, que submetam nossas crianças a situações vexatórias.
A vergonha é uma das disciplinas punitivas mais graves e traumáticas que existem, praticamente inesquecíveis e difíceis de se entender e aceitar.
Bater no próprio filho é sinal de descontrole, de não saber como lidar com determinada situação e como sair daquela situação e é aí que devemos praticar reflexões acerca dos moldes que fomos criados, e como evitar que façamos isso com essas novas gerações.
Criaremos a partir de então novas crianças, que saberão o valor das palavras.
Me choca muito o fato de que não percebamos como as agressões são prejudiciais ao ser humano. Vemos constantemente jovens espancando outros na escola, como forma de humilhar aquele colega, como forma de se mostrar superior. Isso vem de casa, da educação dos nossos pais.
Quando eles, por quererem mostrar sua superioridade batem nos seus filhos e perpetuam esse pensamento de que ser superior significa ser o mais forte, significa conseguir dominar o outro. E isso reflete em todos os tipos de relacionamentos futuros!
Há pais que não entendem, mas ao colocar o filho em uma situação de humilhação ele está trazendo a tona pensamentos de vingança, estão mostrando que daquela maneira a dominação é possível.
E dessa maneira observamos comportamentos agressivos na sociedade. Justiça com as próprias mãos, homens batendo em mulheres, relacionamentos dominadores, e por aí vai.
Não me surpreende que há crimes próprios contra as mulheres, pois o ato de submissão fica mais claro ao ser "inferior", mais frágil, mais fraco. E por isso vemos casos como o divulgado recentemente, em que a enteada foi sequestrada pelo padrasto e viveu por 10 anos como se fossem casados, sem que ela falasse nada para ninguém, por medo. Pois ele sabia que ela, sendo a parte mais fraca, de uma forma manipuladora, o obedeceria.
Seria muita prepotência minha afirmar que castigos recebidos na infância reflete na fase adulta, ainda mais dessas maneiras citadas?
Verdadeiramente acredito que não, e vou além, a maioria dos traumas que temos foram adquiridos por conta de uma forma de disciplina destrutiva a qual fomos criados.
Para alguns isso seria motivo de piada, mas para outros motivos de suas maiores frustrações e desvios de comportamento.
Pense bem antes de ter e criar um filho, ter um filho definitivamente, não é para qualquer um, é para quem pode e saber criá-lo. Para quem está disposto a procurar informações, a mudar sua forma de pensar, a se arriscar, quem está disposto a criar um cidadão livre de traumas, cético, amoroso.
Enfim, ter um filho vai muito além de colocá-lo no mundo.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Parir

Parir,
uma arte tão maravilhosa e que diz tanto em relação à mulher
São poucas as que se empoderam, e por diversos motivos, particulares ou não.
Mas, quando uma mulher toma a decisão de ter autoridade sobre seu próprio corpo, quando a mulher permite se passar por esse ritual de passagem tão importante, quando ela permite que seu companheiro participe desse processo de maneira gradativa e natural, então ela dignamente pari!
O homem, parte tão coadjuvante durante a gestação, por não saber como é estar grávida e por não entender muito bem as mudanças psicológicas e que ocorrem no corpo da mulher, as vezes também não entende muito bem o que está por vir.
Se nós mulheres, que somos mães ou não, mas que estamos gravidas podemos prever, mas não podemos afirmar o que está por vir, imagina eles, nossos companheiros?
Participar de todo o momento do trabalho de parto e parto da mulher é realmente deslumbrante. Isso permite que ele entenda toda a transformação que está acontecendo e, mais do que isso, participe a cada minuto da chegada de seu próprio filho.
Somos mamíferas uivantes! Somos mulheres que guarda no corpo os instintos mais primitivos da humanidade.
O ato de parir é tão natural quanto fundamental para a percepção materna.
Dar à luz: tirar aquele ser de nós, da escuridão em que está, no aconchego do útero, para trazer pela primeira vez à luz!
Que papel divino.
Como deusas trazemos um novo pertencente da terra.
Como entender isso? Precisamos parir para saber, precisamos parir para vivenciarmos, sentirmos, entendermos... O que é: dar à luz!
É algo tão importante e fundamental da raça humana e de qualquer relacionamento que é natural que a mulher só queira ter esse momento ao lado de quem e com quem realmente acredite ter o privilégio de participar disso.
Ninguém nasce mãe, ninguém nasce pai. Se torna.
E sair da posição de fruto para árvore frutífera é algo que vai além da compressão falada, escrita, somente saberemos o que é isso se soubermos vivenciarmos.
Portanto, pari mulher, se empodera, você é mais do que capaz, você é plena, viva e se liberta!

domingo, 11 de maio de 2014

Mais um meio de atualização

Leitoras e leitores queridos
Criei uma página no Facebook onde, além de divulgar os blogs, ainda publico algumas coisas a mais. Que por vezes tão breves não caibam ao blog. 
Poemas, quadrinhos, sentimentos
Dá uma olhadinha, divulgue também para quem se identifica!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Quando me tornei mãe

Minha primeira postagem neste blog foi em janeiro de 2011.
Eu tinha 20 anos, minha filha, Julia valentina, apenas 5 meses.
Hoje, se passaram quase 4 anos em que me tornei mãe. Observar minha vida quatro anos após uma gravidez inesperada é mesmo surpreendente.
Lembro-me exatamente do dia em que descobri estar grávida e do pânico que senti. Aos 19 anos me tornei mãe. Não de fato, pois ela ainda não havia nascido, mas estava gestando ali uma mãe.
Não foi fácil, devo dizer, não foi. Acredito eu, tenha sido o momento mais difícil da minha vida. Porém, não sabia ao certo o que viria, então também foi um momento de espera daquilo que eu não poderia prever.
Como seria minha vida a partir daquele momento?
Fiz escolhas, tive que fazer escolhas e foram escolhas muito difíceis. Acho que a palavra que mais poderia usar é: dificuldade.
Não foi bem uma opção, mas tive que abandonar minha faculdade. Foi realmente muito penoso ter que sair de lá, me vi indo embora de Brasília e me vi sentindo-me completamente humilhada.
Pensei em tantas coisas e em uma delas no quanto meu corpo iria mudar. Olhava as mulheres na televisão e pensava: nunca mais terei um corpo como este. Pode parecer ridículo, mas foi aterrorizante na época.
Meus vinte e poucos anos. Definitivamente não foi uma opção.
Tive que aguentar insultos e julgamentos. O pior deles e o que me dói até hoje foi: engravidou porque quis.
Isso me faz chorar até hoje, agora, enquanto escrevo. A dor de escutar uma frase como este é indescritível. E não importa o quanto você se justifica, a culpa é sempre sua.
E, é incrível,  ao se julgar uma mulher ninguém tem pena, acredite, ninguém tem. Mas na hora de apoiar, de estender a mão, isso ninguém quer.
Eu não tive escolha a não ser levar a gestação adiante. Mas, foi a partir daí que fiz minhas escolhas.
Ao perceber-me como grávida e naquela situação de completo abandono, sem ninguém para conversar a respeito (nem ao menos dentro de casa), sem nenhum apoio masculino, sem ninguém para me orientar, decidi buscar por conta própria orientações, mesmo que externas.
Estava ali me transformando na mulher que hoje viria a ser.
Ao buscar informações e descobrir que poderia ser autora da minha própria história, não desisti. Decidi que, apesar de tudo, iria parir. Mesmo (confesso) não querendo aquela gestação ou aquela criança, eu iria parir. Eu iria fazer a minha parte, eu iria fazer isso por aquela criança que estava dentro de mim. Não iria permitir que, além de enfrentar uma gestação completamente conturbada, essa criança ainda nascesse nas mãos de uma pessoa que não tinha nada haver com a minha vida, que se que entendesse tudo o que eu passei e sofri, e que não sabia o menor significado que aquele momento tinha na vida minha!
Caramba! Eu estava me tornando mãe, e como eu poderia, depois de tudo, permitir que uma pessoa fizesse meu papel? Não, jamais!
Chegou a hora, no quarto, durante o meu trabalho de parto, me vi completamente sozinha. Não vi apoio de ninguém, ninguém... eu estava só, novamente só. Fui levada ao centro cirúrgico completamente só.
Eu não via ninguém, ninguém que eu pudesse reconhecer, ninguém! Eu continuava sozinha.
Chegou um ponto, que após duas horas de expulsivo, eu estava tão exausta... Foi quando eu ouvi o médico falar que não havia nada que ele pudesse fazer, ouvi ele se questionar por que eu estava gritando, ouvi muitas coisas. Eu já não aguentava ouvir mais nada, eu queria falar! Foi quando, foi a única vez que eu não gritei, apenas fiz força, a força que fiz foi tão forte e tão interna, que ela nasceu.
Eu me lembro até hoje e com perfeição seu rosto, o modo como ela a segurou, quando ela veio para o meu colo, junto ao meu peito e eu pude dizer: não chora filha, a mamãe está aqui.
Minha filha parou de chorar na hora, e eu me lembro em detalhes, como ela era e estava. Me lembro de tudo. Foi neste momento, neste exato momento, que parei. Não me questionei mais, eu era mãe.
Me vi ali, novamente, sozinha. Diante de uma situação que nunca havia vivenciado, claro, e nem imaginado viver.
Sem amigos, sem uma figura paterna. Desamparada, mas mãe.
Foi então que meus conceitos mudaram. Comecei a pesquisar sobre maternidade. Livre demanda, cama compartilhada, soluções para noites sem choro, pediatria radical, o lado obscuro das vacinas.
A maternidade foi tomando conta de mim de tal forma que, quando vi, havia se passado um ano.
Sim, me isolei por um ano, e nesses um ano e nove meses (de gestação), não havia visto ninguém, conversado com ninguém. A minha vida de jovem, adolescente, caloura, foi embora...
Fiz amizades que nunca imaginaria fazer, mulheres-mães e mais velhas do que eu.
Apesar de parecer uma crítica, não é. Me identifiquei muito com elas e com essa vida, me identifico até hoje e guardo essas amizades como se fosse o Diamante de Sangue.
A maternidade definitivamente mudou a minha vida. Felizmente ou não, não consigo mais me envolver no mundo dos jovens da minha idade, na verdade, nem sinto que tenho a idade que de fato tenho. E honestamente, não sei se isso é bom ou ruim, mas eu simplesmente sou assim.
Tenho uma amiga que ao mesmo tempo que me disse: aos 50 anos você irá se arrepender de viver como se tivesse 50 anos; também diz: querendo ou não, você só tem 24 anos.
É verdade, querendo ou não eu tenho 24 anos. E por ter largado tudo aos 19 anos, não vivi o que muita gente viver dos 19 aos 24 anos. E com isso, deixei de aprender muitas coisas.
Mas não foi uma opção minha, entendam, eu não tive escolha.
Tive que batalhar, eu entendi que eu teria que fazer a minha história, porque se não, ninguém a faria por mim. Iniciei e terminei uma faculdade nesse meio tempo, enquanto trabalhava durante o dia, a noite eu estudava.
Sim! Eu me formei! Oh, pode parecer ridículo ou grande coisa para a maioria, mas caramba, só eu sei a luta que foi e quantas e quantas vezes eu pensei em desistir. Foi muito difícil. Cara, foi muito difícil.
As vezes eu fico brava, eu vejo mulheres que são mães e, apesar de já estarem estabilizadas em um casamento e terem mais de 30, saem por aí e deixam seus filhos nas costas dos avós. E eu não... Eu não posso me dar a esse luxo. Nossa, que raiva que me dá tem vezes.
Tem vezes que vejo algumas mães, da minha idade, solteiras, que vivem na casa dos pais e saem todos os finais de semana, nossa, como é fácil ter filho assim!
Me sinto ridícula escrevendo isso....
Não me importa, eu faço a minha parte.
O que eu queria mesmo é que as pessoas entendessem, não é que eu sou chata, não é que eu sou exigente, não é que eu não veja graça na vida e não faça nada por mim! Não é isso!
Mas eu tenho prioridades inadiáveis e que me impossibilitam de viver Meus Vinte e Poucos Anos.
Estou vendo eles irem embora e não foi uma opção minha, por outro lado minha filha é o que me mantém viva. É ela que me ensinou o valor de um sacrifício, o valor de lutar por uma qualidade de vida melhor.
É por ela que eu não desisto, que eu me esforço na vida, que eu quero me tornar um exemplo.
Hoje, me vejo aqui, buscando uma qualidade de vida melhor, e sem desistir de lutar, e isso tudo é por causa da minha filha.
O que seria de mim se eu não fosse mãe? Mas mãe, mãe de verdade?
Sinceramente, quando eu penso nisso, eu me imagino com uma realidade muito pior do que eu imaginava aos 19 anos. Isso porque eu não sabia nessa idade o quanto a vida exigiria de mim. A única coisa que imaginamos nessa idade é o quanto é legal estar numa faculdade e quando eu me formar eu vejo o que faço.
Hoje eu vejo que se tivesse me formado lá este ano, para então eu começar uma vida, nossa, eu estaria muito atrasada.
é.... Se passaram quase 4 anos e o que eu posso dizer é que a maternidade me tornou uma pessoa muito melhor do que eu imaginava, e que muito do que eu sou hoje é reflexo do fato de que eu sou mãe. Coisa que poucos entendem.
Tem gente que me vê e me considera exagerada. Tolos!
Um dia entenderão por que eu sou assim.

sábado, 3 de maio de 2014

Parto não estraga Parque!

Como todos que me conhecem já sabem, sou defensora da humanização do parto.
É óbvio que apresentar evidências é fundamental para que as mulheres possam argumentar e defender este momento tão importante na vida delas e das suas pessoas queridas, que tanto esperam por aquele momento.
Mas, definitivamente isso não é o suficiente.
O que vemos são mulheres que simplesmente se recusam a enxergar qualquer realidade posta diante de si, jogar total responsabilidade sobre o médico e dizer que não está preparada, e que apesar de apoiar quem quer um parto normal, não teria coragem nunca.
Eu não entendo isso, como entender alguém que diz defender algo, porém não fazê-lo. É como dizer não ter preconceito com homossexuais, mas não aceita que eles visitem sua casa ou sejam seus amigos.
Acho que para mudar a realidade do cenário, devemos pesquisar mais além. Entender os reais motivos para que leve uma mulher a dizer: eu não quero parir.
Porque convenhamos, sabemos que não querer passar dor não é justificativa. Apesar de eu ser contra, há anestesia que pode ser aplicada no parto normal.
Estive em uma maternidade pública há poucos dias atrás, lá escutei as gestantes que estavam no fim da gestação, elas conversavam exatamente sobre parto. Enquanto uma delas afirmou que gostaria de ter parto normal as outras, cerca de 3 gestantes, acharam um verdadeiro absurdo, e afirmaram que não "estragariam o parque de diversões" por causa de um parto.
Nesse momento eu quis enfiar minha cara no vaso sanitário...
Acredito que informação é fundamental, se vivermos escondidos no mundo da ignorância para que não assumamos nenhuma responsabilidade, então como iremos descobrir o poder que temos?

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Blog Novo

Bom dia!
Estou com um novo blog, direcionado apenas à relacionamentos

http://dilemasderelacionamentos.blogspot.com.br/

Bom, né? rs Assim fica tudo no seu devido lugar!
Abraços