sexta-feira, 13 de junho de 2014

Cabelo crespo é cabelo ruim?

É inacreditável, é revoltante ver uma matéria como esta e, ainda pior, ver sites de grandes proporções apoiando isso.
Aliás, pior ainda, ver que uma pessoa conhecida publicou algo do gênero para o mundo inteiro ver e ninguém fez nada!
Meus olhos não podem acreditar no que está lendo.
A matéria tem como título: Abaixo assinado para que Beyoncè penteie o cabelo de sua filha.
No momento, minha indignação é tão grande que não consigo, definitivamente não consigo escrever nada.
Eu gostaria que todas as mães, cujos filhos sejam afros, ou tenham características afros, como o cabelo, peçam para que Jasmine Toliver, peça desculpas públicas e internacional para nós. 
Só queria fazer uma observação à Jasmine, cabelos afros não se penteiam, simplesmente porque não tem como penteá-los, eles são crespos. 
Além do mais, um cabelo afro é afro e ponto. Da mesma maneira que um cabelo liso é liso, o ondulado é ondulado e por aí vai.
Ter um cabelo afro não significa desleixo.
Ou você acha que por ter uma característica negra já significa ser sujo e desleixada? 
Porque não se adequar a moda do alisamento, significa ser desleixada?
Olha, eu fico pensando que, se fazem isso com a mulher mais rica do mundo, feminista, negra, imagina o que pensam sobre a minha filha, sobre a sua. 
"Filha de preto", "cabelo ruim", "cabelo de pobre".
"Preta do cabelo duro" sabe qual é o pente que deve te pentear? Nenhum! 
Porque a "preta do cabelo duro", ao contrário das "normais" não precisa de pente, seu cabelo já se molda sozinho.
Aliás, sozinho nada, cuidar e ter um cabelo crespo exige muito trabalho.
Ah! Lembrei de várias pessoas que falam que não existe mais racismo, lembrei também daquele ator famoso que disse que não deveria existir o dia da consciência negra e que só assim acabaria o racismo.
Queria mandar um recado. Se não há visibilidade, não há mudança. 
O racismo é constante, é frequente, degradante, humilhante.
Há uma situação que queria postar aqui no Blog, mas até hoje não consegui escrever, o dia em que me chamaram a polícia porque minha filha era negra. 
Não existe racismo no Brasil e nem no mundo, afinal, né? A questão do cabelo é um mero detalhe do reflexo obrigatório que devemos ver no espelho!
E, para quem não viu, segue o link página da globo: Abaixo assinado

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Afinal, como eu me vejo?

Ontem eu recebi uma mensagem de uma amiga,
à primeira vista realmente achei impactante, mas depois fui entendendo aos poucos o que essa mensagem (que mais parecia um poema) queria dizer.
Na verdade, ela quer dizer o que nós sentimos constantemente, mesmo sem entender e sem conseguirmos expressar. Ela quer dizer aquilo que nos acomete quando tomamos conta de que o tempo passou, de que nossos filhos estão crescendo e de que estamos nos aproximando cada vez mais da imagem de "mãe", socialmente dita.
Porém, o que esta mensagem realmente quis dizer, isso somente a autora saberá falar, no entanto ela nos acomete de maneira diferente, a cada um que a ler.
"Sem nomes", disse ela.
Um novo setênio começou e ele me trouxe muitas reflexões. Me trouxe lugares e sensações que jamais imaginei estar ou sentir. Mesmo sem sair do lugar. Coisas que me faziam feliz perderam o encanto. Assim como coisas que nunca me interessaram, agora brilham diante dos meus olhos. Tomei um susto ao estar dentro de uma loja de roupas e ao tentar escolher algo pra mim. Me vi olhando para algo que vestiria a minha mãe... Combinaria com o jeito dela, com suas sandálias de salto e calças. Combinaria com o jeito de mulher. E não mais jeans e tênis... Não me vejo mais menina. Meu espelho mudou. Meus olhos mudaram. Mas não me reconheço. Não me tornei meu sonho. Não vejo minha luz. Meus caminhos não estão iluminados como imaginei que estariam. A voz que ouço não é a minha. Minha voz, meus olhos estão presos. Presos a algo que querem que eu diga e veja. Meus pensamentos estão presos também. Dentro da minha cabeça que lateja. Como se meus pensamentos estivessem pedindo para a porta se abrir... Mas ela não abre. Cada vez se tranca mais. Tenho medo. Medo dos pensamentos saírem numa explosão, numa queda da muralha. E eu olhar pra mim. E me reconhecer...