quarta-feira, 4 de junho de 2014

Afinal, como eu me vejo?

Ontem eu recebi uma mensagem de uma amiga,
à primeira vista realmente achei impactante, mas depois fui entendendo aos poucos o que essa mensagem (que mais parecia um poema) queria dizer.
Na verdade, ela quer dizer o que nós sentimos constantemente, mesmo sem entender e sem conseguirmos expressar. Ela quer dizer aquilo que nos acomete quando tomamos conta de que o tempo passou, de que nossos filhos estão crescendo e de que estamos nos aproximando cada vez mais da imagem de "mãe", socialmente dita.
Porém, o que esta mensagem realmente quis dizer, isso somente a autora saberá falar, no entanto ela nos acomete de maneira diferente, a cada um que a ler.
"Sem nomes", disse ela.
Um novo setênio começou e ele me trouxe muitas reflexões. Me trouxe lugares e sensações que jamais imaginei estar ou sentir. Mesmo sem sair do lugar. Coisas que me faziam feliz perderam o encanto. Assim como coisas que nunca me interessaram, agora brilham diante dos meus olhos. Tomei um susto ao estar dentro de uma loja de roupas e ao tentar escolher algo pra mim. Me vi olhando para algo que vestiria a minha mãe... Combinaria com o jeito dela, com suas sandálias de salto e calças. Combinaria com o jeito de mulher. E não mais jeans e tênis... Não me vejo mais menina. Meu espelho mudou. Meus olhos mudaram. Mas não me reconheço. Não me tornei meu sonho. Não vejo minha luz. Meus caminhos não estão iluminados como imaginei que estariam. A voz que ouço não é a minha. Minha voz, meus olhos estão presos. Presos a algo que querem que eu diga e veja. Meus pensamentos estão presos também. Dentro da minha cabeça que lateja. Como se meus pensamentos estivessem pedindo para a porta se abrir... Mas ela não abre. Cada vez se tranca mais. Tenho medo. Medo dos pensamentos saírem numa explosão, numa queda da muralha. E eu olhar pra mim. E me reconhecer...

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