sábado, 26 de julho de 2014

Eu mereço me tornar?

Me perguntaram se eu queria ser mãe novamente. 
Ora, que pergunta engraçada, não? Já que como mãe, não tenho como deixar de ser algo que já sou para sê-la novamente. 
Por outro lado, eu entendo muito bem o que essa dúvida quer falar de verdade.
Ser mãe novamente,
Claro que quero, quero sim e muito.
Quero sentir cada contração, mas quero sentir acompanhada.
Não quero mais ter medo de acordar sozinha, após cada contração.
Quero alguém que durante cada minuto possa segurar minha mão, possa me embalar nos braços, me tranquilizar e que no fim, eu possa agradecer.
Mas, agradecer não pelo apoio, não, não somente por isso.
Quero agradecê-lo por ter me permitido gerar uma das raras e únicas jóias do mundo, NOSSO filho.
Se quero ser mãe novamente? Ser mãe novamente significa, na obviedade, ter mais um filho e, com isso, me tornar responsável por gerar, criar e eternizar mais um ser perante à humanidade.
Quero muito, e mais do que ser mãe novamente, quero um pai que oriente, que me ajude. Portanto, antes de tudo acontecer, é preciso primeiro que aquele homem mereça.
E o mérito, meus caros, é algo raro.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Guia da mãe o que?

Uma revista de grandes proporções, diga-se de passagem aquela cujas capas demonstram que só os brancos nascem, divulgou uma nova matéria.
O tema era: Guia da mãe Solteira.
Sinceramente, não sabia se ria, se chorava ou se me sentia extremamente ferida e ofendida com isso.
Podemos ler várias dicas, e vários depoimentos de mães solteiras em relação a vida amorosa, mas convenhamos, Guia da Mãe Solteira? Isso me soa como ofensa.
A começar por querer nos orientar quanto ao tipo de homem que devemos escolher a nos relacionar, quando devemos nos relacionar, quando devemos apresentar o namorado aos filhos e por aí vai.
Não era tão completa assim, a reportagem é bem vazia, e uma das coisas que me chamou a atenção foi quando na reportagem dizia que tudo bem os pais terem várias namoradas e apresentarem a qualquer momento aos filhos mas, quanto às mães, as mães não!
Para mim aquilo foi absurdo.
Não é essa a educação que devemos passar aos nossos filhos, cara revista, a educação é de que ambos, tanto o pai quanto a mãe, tem os mesmos direitos e deveres. Sim, deveres iguais.
Além da matérias ser extremamente específica.
Destinada às mães solteiras (título ridículo), cujos pais dos filhos são presentes.
Aquelas que adotaram os filhos não se aplicam ao caso, também não se aplicam ao caso mães solteiras cujos pais nunca foram presentes, ou não assumiram a paternidade.
Mães, que não são casadas, não se deixem enganar, não levem em consideração o que essa matéria fala. Assim como criar um filho é algo que se determina na naturalidade da convivência, um relacionamento nessa posição é algo que você, e só você, saberá controlar.
A hora certa de apresentar a pessoa, a naturalização da convivência, o término.
Sim, o término. Você pode sofrer sim! Você tem o direito de sofrer, ao contrário do que a matéria diz, é algo que você tem sim que vivenciar, o sofrimento do término (se para você for sofrido, claro). Nós mães não somos rochas, temos sentimentos e nossos filhos sabem disso, ao menos devem saber.
Devem saber que relacionamento podem vir a acabar (na maioria dos casos) e que esse rompimento gera sofrimento, e sofrer é normal.
Todos querem nos convencer a não sofrer perante nossos filhos. Quantos de nós já disseram nunca ver o pai ou a mãe chorar ou sofrer, e quando viram se abismaram?
Sinceramente, não vejo naturalidade nisso, é natural que soframos. Já me cansei dessas revistas quererem dizer que não!
Ah, quanto ao tipo de homem ideal. Deve ser solteiro (claro) porém, pai. Ou seja, homens sem filhos não entendem as mulheres que tem filhos.
Discordo, acredito que os que não tem filhos compreendam tanto quanto aos que tem filhos. Isso é questão de criação, de educação, de conceitos que se formam a medida que se dão conta da realidade da mulher ao qual se dispôs a se relacionar.
Não importa se o homem tem filhos ou não, isso não determina se ele irá prestar ou não.
Gostaria de poder prosseguir, mas vou resumir a história.
Por que não vemos um Guia da mãe Casada por aí?
Esse Guia é sexismo puro. É demonstrar que mulheres que não são casadas com os pais dos seus filhos (ou não), precisam de ajuda em qualquer situação, inclusive - coitadas- no quesito relacionamento amoroso.
Quanto às casadas, essas são dignas de tudo. Se o relacionamento está um fracasso, as brigas em frente aos filhos são constantes, bem como os desrespeitos, não importa. Elas não precisam de Guia, nem eles.
Aliás, nunca li uma reportagem em que dita como o pai deve agir, sendo solteiro, casado ou o que quer que seja.
Não, isso não existe, porque é um roteiro que somente a mulher deve seguir.
Obrigada Revista Pais&Filhos, mas não precisamos de normas para vivermos de acordo com regras socialmente impostas. A vida não se baseia em dicas, a realidade é diferente em cada esfera familiar e essas normas não deveriam existir.
São sempre direcionadas ao lado mais fraco, mulher, mãe e solteira.
Nos deixem em paz com suas ditaduras! Parem de querer ditar como devemos agir e em que momento devemos agir.
Como mãe, e como mulher, eu estou em constante aprendizagem e não é lendo uma reportagem como esta que irei aprender alguma coisa, ainda mais uma reportagem em que o título é tão estúpido quanto ao conteúdo.