segunda-feira, 6 de abril de 2015

O machismo, a maternidade e a solidão

"Pare de se fazer de vítima, eu nunca me pergunto, quando vou sentar numa mesa de festa de criança, se a mãe que tá lá é solteira"
Quem nunca escutou frases intimando-a como vítima não sabe o que é sofrer duas vezes. 
Esse final de semana senti na pele, e acho que pela primeira vez e descaradamente o preconceito e o machismo contra uma m~e solteira. 
Fui com mais uma amiga viajar para Pirenópolis, nos hospedamos em um camping que também havia quartos. 
Chegamos, instalamos nossa barraca e fomos às cachoeiras e trilhas da cidade. 
Ao retornar a dona do camping nos recebeu dizendo para que esperássemos um momento para que ela pedisse aos hóspedes que lá estavam para abaixar o som. 
Era por volta de nove horas da noite e estávamos cansadas, eu, minha amiga e minha filha de 4 anos. 
Do lado de fora escutei os hóspedes abaixando o som e, assim que entramos o preconceito e desrespeito foi notório. 
Eram dois casais de Brasília, uma das mulheres logo falaram que não iria abaixar o volume e que além disso ainda fariam mais churrasco e que estavam lá para curtir. 
Os homens nos intimidaram e riram da nossa cara. 
Passou um tempo e eles decidiram sair, pensamos que talvez fosse por o mínimo de bom senso e empatia, mas não, por volta de uma hora da manhã eles retornaram, uma delas tocou a buzina do carro por pura implicância e salientou que estávamos pagando para ficar em barraca, que eramos pobres e que ela estava pagando por um quarto. 
A falta de respeito dominou aquela noite. 
Acordamos e resolvemos ir embora de lá, estava arrumando a minha filha, chamando ela e um dos homens que estavam lá saiu do quarto e ficou observando-nos e tomando cerveja, logo às 7 da manhã. 
Então eu chamei minha filha para irmos embora, e então, ao passar por ele ele disse que eu tinha uma voz horrível. O ignorei.
Ao chegar no portão, o qual tinhamos que abrir manualmente, ele veio em nossa direção, nos intimidando, e começou a falar que eramos inconvenientes, dentre outras coisas, nos expulsando do local. 
Olha, nunca me senti tão oprimida. 
Sou mãe e estava sozinha com a minha filha, e definitivamente isso não teria acontecido se eu estivesse acompanhada de um homem. 
Ser mulher, na nossa sociedade, já é um crime por si só. Mas ser mulher e estar sozinha é um pretexto para sermos condenadas sem qualquer julgamento. 
Não me surpreende a vontade de certas mulheres andarem com algum tipo de arma para se defender, a defesa do oprimido não pode ser julgada. 
Sinto muito pelas minhas irmãs que tem que passar por situações muito piores e intimidadoras do que essa, foi a primeira vez que me senti prisioneira da sociedade.


PS: Só para constar, o nome do camping é Rio das Pedras. A Dona da pousada, além de não fazer nada por nós, vendo tudo, ainda justificou dizendo: Eles queriam se hospedar,não poderia recursar. O local não tem regras, ela informou: Ah, eles estão pagando, não posso evitar que façam "zoeira" de madrugada.
Não indico o local e nunca mais irei, porque NEUTRALIDADE NÃO EXISTE! QUEM NÃO SE POSICIONA ESTÁ A FAVOR DA OPRESSÃO!

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