quarta-feira, 1 de abril de 2015

O que castiga (a mãe) são os outros

Acabei de fazer 25 anos.
Parece que foi ontem, mas faz pouco mais de 10 dias. 
25 anos e o que eu conquistei na minha vida?
Sinceramente, me sinto uma fracassada nesse momento. 
Busco realizações profissionais e nunca tenho uma oportunidade, me considero uma ridícula. 
A vida vai passando e a gente vê todos aqueles planos irem embora, rindo de mim, zombando de mim. 
Eu não tive e nem tenho as oportunidades que queria. 
Tive uma filha "forçada" pelo estado - não importa o que ela significa para mim hoje, não vou entrar nesse mérito - nenhuma mulher deveria ser obrigada a ter um filho. 
E ter uma filha me impediu de seguir todos os meus planos, todos e até hoje não consegui refazê-los.
Não vá pensando que quem decide prosseguir com uma gestação é tratada de forma diferente de quem opta por intervir, não é!
Somos ridicularizadas, julgadas e hostilizadas durante toda a gravidez e quando seu filho nasce sua oportunidade de crescimento profissionais se torna oportunidade de decréscimo profissional.
Você que é mãe solteira, sozinha mesmo, sozinha de tudo, vai me entender. 
Eu crio minha filha sozinha, e isso nunca foi opção, foi imposto. E é difícil sim, não é vitimização, é quase que uma prisão. 
Quem me apoio tanto nem se quer sabe como é o rosto dela, nem mesmo o pai dela. 
As empresas nos recriminam, tratam-nos como incompetentes: Mas quem fica com ela? Você recebe pensão para ela? E se ela ficar doente? E se você ficar mais tarde na empresa?
São perguntas que ofendem e que até nem dizem respeito a empresa, se eu estou procurando um emprego é porque eu pensei em tudo isso e mais um pouco já, e mais, algum homem sofre esse tipo de pergunta. 
Quando eu questionei: por que vocês querem saber se eu recebo pensão do pai dela? A resposta foi simples: para saber se você tem mesmo necessidade de ganhar salário.
Estou numa prisão? Se ele me paga pensão não preciso de emprego e se não paga eu posso ser subordinada a tudo!
Pai, eu fracassei... Eu fracassei em tudo e ainda sou julgada ou impedida. 
"Ah, mas você teve filho porque quis", "você não estuda porque não quer", "você ganha bem, tá reclamando atoa", "se quiser sair saia com ela", "você não pode ser amiga de mulher casada porque você é mãe solteira, os maridos delas não gostam e nem elas".
Ter tido minha filha não me dói, o que me dói é o que a sociedade faz comigo que tive uma filha sozinha e vivo sozinha. 
O que dói mais são as respostas daqueles que nunca viveram o que eu vivo e nunca viverão, o que me dói é nunca ter tido opção, o que me dói é me ver abandonada e não ter como fugir, ou não ter maturidade suficiente para pensar numa fuga. 
Eu tenho quase 30 e o que eu fiz? O que eu vivi? Quais são as minhas oportunidades. 
Escrevo isso chorando, porque a única coisa que eu queria era poder ser compreendida ou ao menos não ser julgada. 
O que eu quero profissionalmente, são oportunidades, aquelas as quais eu nunca tive porque... porque não tenho opção. 

2 comentários:

  1. Elisa eu sei como você se sente. Tenho 23 anos e tenho uma filha de um ano e cinco meses e acho q estou gravida novamente...pois é. Eu tenho uma sogra e um marido ótimos q me ajudam em tudo,mas ainda não consegui voltar pra faculdade, mas tbm fui muito maltratada até pela minha própria mãe , mas hj vive correndo atrás da neta...a vida de ser mãe é muito difícil, sem ajuda eu imagino que deva ser quase impossivel

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  2. Seja forte,segure firme, sua filha precisa de vc. VC trabalha aqui no Rio de Janeiro? Pq a minha amiga participa de um grupo de parto humanizado e sempre procuram por uma Doula. Enfim...do que precisar, ainda sou iniciante nesse lance de mãe, mas no que eu puder ajudar meu facebook é Silvia Vitória Wayne e meu blog éhttp://nteparticular.blogspot.com.br

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