segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A invisibilidade materna no mercado de trabalho

Somos mulheres antes de tudo, isso é certo, mas também somos mães.
Esqueceram de nos incluir na exclusão dos incluídos, para que pudéssemos sermos tratadas de forma diferentes.
Uma mulher, que é mãe, sabe as dificuldades de se assumir em grandes ou em qualquer posição, no mercado de trabalho.
Ser mãe, dentro de um ambiente profissional, é quase um tabu.
Você tem um filho, mas também não pode falar dele ou sobre ele e, se falar, escutará apenas um "que gracinha", "que bonitinho", "que legal".
Alguma mãe já teve um momento em que foi chamada em uma conversa apenas para que pudessem escutar suas dificuldades e encontrar soluções?
Eu nunca.
Aliás, se percebe bem o contrário. Na tentativa de inclusão das mulheres no mercado de trabalho, esqueceram de questionar se as mães deveriam ser ou não tratadas de forma igualitárias àquelas mulheres que não tem filhos.
E, antes que eu prossiga, me resumo aqui às mulheres e não aos homens, porque não consigo falar por eles, apenas por mim.
Prosseguindo então, quais foram, afinal, as tentativas de entender a mãe no mercado de trabalho? Eu diria que nenhuma.
Essa é a nossa realidade, somos vistas apenas como mais-valia, esquecem que nós somos profissionais sim, mas nós temos prioridades maiores.
E, quando se trata de conversas, não há perguntas afim de concordar com soluções, mas sim apontamentos do tipo "você sabia que precisamos de você do início ao fim?" ou então "agora se seu filho tiver uma dor no dedo você vai faltar ao trabalho de novo?", também se escuta coisas um pouco absurdas como "não queremos problemas para a empresa, se for para gerar problemas e fazer com que os colegas considere que você tem privilégios porque precisou sair mais cedo, então é melhor que repensemos o seu lugar aqui na empresa".
Sim, nós precisamos de "privilégios", e sim, nós precisamos ser tratadas de forma desigual ao resto da equipe sim. Sim, somos mães. Sim, temos filhos! Sim, nós criamos eles e mesmo que tenhamos alguém para ajudar, ainda assim a ajuda não significa substituição do nosso papel!
Já está na hora de o feminismo entender que as mães precisam sim serem tratadas de maneira diferenciadas, já está na hora de nós mulheres nos posicionarmos em relação a isso.
Não é justo que com tudo que tenhamos que passar para criarmos nossos filhos, ainda nos reduzam a um problema por que temos sim nossas limitações!
Já chegou num momento em que ser mãe no mercado de trabalho deve parar de ser um tabu e ser conversado abertamente, de que os representantes das empresas repensem o modo como nos tratar e como isso pode ser benéfico a empresa.
Se esse assunto não for questionado e priorizado no mercado de trabalho, continuaremos sendo lentamente excluídas, abruptamente desprivilegiadas, substituídas ou se quer cogitadas.
Estamos há anos perdendo nossas oportunidades por sermos diferentes, estamos há séculos sendo hostilizadas por não termos opções, soluções ou por não sermos tratadas como mães, humanas e dignas.
Eu sempre soube que não seria fácil ser mãe nessa selva comercial, mas o capitalismo é mesmo selvagem, ele não dá chances, ao contrário, nos encoraja a pular, mas cortam nossas pernas.
Nós estamos pedindo, por favor, nos acolha, nos escutem, nos permita, mas não nos tratem como iguais, pois nós não somos. 

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