quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A verdadeira história por trás do blog.

Há alguns dias atrás fui afrontada; "suas histórias não batem".
E, foi assim, que resolvi contar, do início até os dias de hoje, sem vergonha e sem culpa, a minha história.
Aos meus 19 anos, morava em uma república, para conseguir me manter na faculdade. Porém, devido aos barulhos que fazíamos, por sermos jovens e desmedidos, fomos obrigados a sair do apartamento.
Nessa república também morava o, hoje, "pai" da minha filha.
Eu estava desesperada porque não sabia para onde ir, com poucos recursos eu não podia me bancar sozinha em uma kitnet, então insisti para que moremos juntos, eu e o sujeito em questão.
Nos meus planos isso seria temporário, até eu encontrar outra pessoa para dividir a kitnet comigo, eu não pretendia morar com ele muito tempo.
Foi quando, bem brevemente, após a mudança, exatos dia 24 de dezembro de 2009, descobri minha gravidez.
Eu usava anticoncepcional Siblima e havia mudado para o Yaz, não sei se foi essa a causa da minha gestação indesejada, mas aconteceu.
Assim que eu descobri estar grávida me desesperei, eu não queria aquela criança, mas não tive outros meios se não prosseguir com a gravidez.
Porém, sem saber o quefazer e, devido a minha condição financeira precária, voltei para a casa do meu pai.
Já na casa do meu pai, continuei a receber ligações de cobranças. O aluguel da kitnet estava em meu nome, a conta da internet, telefone e televisão também. Eu sempre dava o dinheiro para o - vamos chamar o "pai" da minha filha de Omyr - Omyr pagar as contas, ou seja, eu sempre dava a minha parte para ele, que era metade do valor das despesas, e ele - dizia- que pagava o restante.
Primeiro grande sinal de que ele mentia; descobri que ele NUNCA pagou nenhuma das contas, nem aluguel, nem água, nem luz, nem a televisão à cabo, nem a internet e nem o telefone. Nada, ele nunca pagou nada, e não me pergunte o que ele fez com o meu dinheiro, eu não sei.
Ele dizia que saia para trabalhar, mas também acabei descobrindo que ele não trabalhava, não me pergunte onde ele estava e para onde ia, ou o que fazia com o dinheiro que pegava para pagar as contas, porque eu também não sei.
Assim que eu descobri tudo liguei para ele e o afrontei, ele assumiu que ficava com o meu dinheiro e não pagava as contas, também assumiu que não trabalhava mas, para sustentar suas mentiras, dizia também que me pagaria tudo.
Eu estava endividada e grávida, de volta à casa do meu pai.
Com muita raiva, lembrei que todos os móveis que estavam na kitnet haviam sido comprados por mim, exceto a geladeira. Paguei um frete de Goiânia (cidade onde eu moro), para Brasília (cidade onde eu morava e onde ele estava) e busquei tudo, todos os móveis, inclusive a geladeira.
Quando eu cheguei lá ele estava dormindo, apesar de já ser umas 11 horas; mesmo vendo que eu fui para pegar todos os móveis, ele não falou absolutamente nada.
Foi nessa mesma época que pedi um empréstimo ao banco, o valor das parcelas era aturável e o Omy disse que pagaria. Ele nunca pagou.
Ainda assim mantive comunicação com ele. Na primeira ultrassom eu liguei, aliás, em todas. Apesar disso, ele NUNCA ligou.
Um dia o convidei para vir á Goiânia, para sentir a minha filha na barriga, para acompanhar alguma coisa, ele veio. Na única vez que ele veio ele mentiu novamente, no dia de ir embora, que perdeu o todo o seu dinheiro e se eu poderia pagar a passagem dele de volta para Brasília.
Eu tive que tirar do meu bolso, do que poderia ir para a minha filha, dinheiro para ele voltar para Brasília.
Eu liguei mais algumas vezes, durante a gestação, eu precisava de ajuda para comprar berço, fraldas... Ele nunca comprou um par de meias para ela, se quer, e também não mandou um centavo.
Visto todo o descaso, eu me fechei, triste, grávida e sozinha, levei adiante o sofrimento em gerar uma filha em situação de abandono.
Meses passaram e ela nasceu. Não liguei para ele, não avisei. Ele tinha meu telefone, meu endereço, meu e-mail, amigos em comum, ou seja, inúmeros canais para chegar até mim e, mesmo uma amiga minha indo no trabalho dele avisar que a minha filha havia nascido, ele não ligou, não deu uma notícia se quer e também não ajudou financeiramente com nada.
Minha filha nasceu, ela se chamaria Eleonora mas, assim que nasceu, eu não quis mais esse nome, não quis porque havia dito ao Omyr que colocaria esse nome nela, e eu não queria que ele soubesse o nome dela.
Durante um ano, exatos 1 ano, ele nunca ligou se quer para registrar ela. Sim, ela estava como pai inexistente na certidão de nascimento.
Eu soube que uma amiga em comum enviou três fotos da minha filha, recém nascida, que eu havia postado no Orkut, na época, para ele. Eu fiquei enfurecida, não era para ela ter feito isso. Ele não teve interesse em vê-la, mas ela deu de bandeja as fotos da minha filha para ele mostrar para a família dele, como se ele soubesse dela. Não era verdade, era tudo mentira!
O que eu queria saber é,que mentira ele contou a respeito de tudo isso e qual o nome ele falou que ela tinha.
Eu pergunto qual o nome porque, após esse um ano, EU liguei para ele.
Eu estava incomodada que a certidão de nascimento da minha filha não vinha com nome do pai, ao matricular ela na escola era um pouco constrangedor, então eu liguei para ele e pedi para ele registrar ela.
Foi então, depois desse tempo todo, que ele descobriu qual era o nome dela.
Fui eu quem escolhi o nome dela, não ele, eu não sabia que o nome da avó dele era o mesmo que o da minha filha, não foi intencional e não foi nenhuma homenagem.
Enfim, a partir desse episódio, de registro dela, que tudo começou a piorar.
Ele não apoiava nada, não vinha visitá-la.
Até que um dia, eu liguei para ele na semana do dia dos pais, eu praticamente implorei para ele vir, a apresentação na escola seria no domingo. Ele afirmou que viria. Era domingo de manhã.
Não quero falar sobre esse dia, mas escrevi sobre esse dia, e o link é exatamente esse http://maemulhers.blogspot.com.br/2013/08/um-apelo-solitario.html   - NÃO PROSSIGA A LEITURA SEM LER ESSE LINK!
Depois desse dia qualquer pingo de respeito que eu tinha por essa pessoa acabou.
Eu nunca mais o tratei com respeito ao telefone, telefonemas estes que eram sempre feitos por mim, ele nunca ligou para ela. Aliás, ligou, raras vezes, e em semanas como dia das mães, para dizer que iria visitá-la no dia das mães. Depois de um tempo eu descobri que era uma estratégia dele para me irritar e eu falar para não vir, afinal, claro, era dia das mães!
Nas vezes que eu ligava para ele era para cobrar as pensões, pensões essas que eu raramente as via, só quando eu ligava no emprego dele, insistentemente e, para ele me fazer calar a boca, mandava o dinheiro. Aquele mirrado.
Então não suportei mais, em 2014 entrei com um processo de pensão e guarda.
As provas foram muito convencíveis e a juiza NÃO permitiu que ele visitasse minha filha em finais de semana, nem que dormisse com minha filha, só permitiu de segunda a sexta, das 8 às 18, sem direito a pernoite. Afinal de contas, ele não fazia parte do convívio familiar dela, não havia afinidade afetiva, isso significa também que não tem como confiar em quem não tem afinidade afetiva com uma criança.
Ela me deu a guarda total de minha filha também.
A pensão, essa só foi definida em julho de 2016, até então fiquei refém da boa vontade dele.
Ele viu a própria filha cerca de 4 vezes na vida dela, a última em 01 de janeiro de 2015, depois de 3 anos sem vê-la.
A distância? Super perto, entre Goiânia e Brasília são cerca de 180km, duas horas. Mas ele não tinha tempo e nem dinheiro.
Segundo ele, eu nunca teria acesso ou contato com a família dela.
Em abril deste ano eu liguei para ele, pedi para que assinasse a liberação para a fabricação do passaporte dela, bem como autorização de viagem.
Ele se negou, disse que nunca iria deixar tirar a filha dele de perto dele (oi?).
Em junho desse ano mais uma, das três audiências as quais ele nunca compareceu, determinou que ele deveria dar pensão de 30% do salário. Em julho ele me ligou informando que estava indo embora do Brasil.
Em agosto sai o resultado da audiência, ele está intimado a prestar esclarecimentos da ausência paterna, da negação ao passaporte e apresentação do contra-cheque, para comprovação de renda.
Ele então me liga, não estou mais no Brasil e não voltarei.
Por que estou contando essa história?
Porque por todos esses anos, pensando em minha filha, quis ter algum tipo de contato com a família dela, ela não está só, e eu também não posso estar sozinha. A minha família ajuda, tanto financeiramente quando afetivamente. Por que só a minha família tem que dar amor? Por que só a minha família tem que ajudar? Por que só a minha família? Ela é só? Nós estamos sós?
A família paterna tem sim que ser presente! Eu não sou a única pessoa na vida da minha filha e o tempo irá cobrar isso.
Eu fui atrás dos familiares dele através do google, e achei!
Entrei em contato, ele me ameaçou, falou que iria fazer todos me bloquearem e não falarem mais comigo, falou que não permitiria que eu entrasse em contato com eles. Enfim, desesperou. Até hoje eu não sei o motivo que levou ele a separar e distanciar a minha filha da família DELA, sim Omyr, é a família dela também, ela não é sua posse e não é você quem vai determinar quando e como ela falará com a família dela.
De qualquer maneira, algo que muito me magoou foi nunca haver interesse por parte de sua família paterna, isso dói, não só no peito, dói na alma.
Bom, ao conseguir contato fui indagada que a minha história não bate com a história que ele conta.
Tenho esse blog há 6 anos, toda a nossa história, minha e de minha filha, está aqui, escrita, e algumas coisas mais também.
Os processos judiciais, aos quais me referi, são públicos e estão disponíveis na internet, basta digitar o nome completo dele. Não sei se aparece em outros países, mas posso mandar os links.
Escrevi aqui em meu blog, porque não tenho outro meio que não esse.
Assim sendo, essa é minha breve história resumida. Essa é a verdade, a qual posso comprovar, e não é lá muito difícil.

domingo, 28 de agosto de 2016

A maternidade é ilusão

Eu acredito que eu já deva ter tocado nesse assunto, que falarei aqui, antes.
Devido a um vídeo que está circulando esta semana, nas redes sociais, de uma menina de cabelo azul, falando sobre a maternidade, eu preciso me posicionar.
Minha filha fez 6 anos este mês.... Sim, há seis anos escrevo nesse blog...
Lembro-me de quando me vi grávida da Julia e todos me obrigavam a amar ela. Nunca esqueço das palavras de uma amiga que, na época, disse que ma ajudaria a cuidar dela, quando ela nascesse e até antes. "Você nem ama a sua filha!".
Moça, 'péra' lá. Ela se quer havia nascido. Eu estava em uma gestação indesejada, num momento inesperado e eu nunca, nunca planejei ser mãe em toda a minha vida.
Por que nos forçam sentimentos que deveriam ser construídos?
De qualquer maneira, não é sobre isso que eu queria falar, pois aqui já tem um texto sobre isso e, ironicamente, é o texto mais acessado e comentado, o que mais recebo mensagens, o que mais tem comentários no facebook e o que mais me retornam por e-mail... E, olha, eu não sabia da dimensão e da responsabilidade deste blog.
Enfim, no vídeo a moça fala o quanto é difícil ser mãe, em especial, sendo solteira. Ela explica que ama o filho, mas preferiria ser tia, seria bem mais fácil. Que abrir mão ou adiar planos é muito difícil. Que gostaria de fazer inúmeras coisas, mas não pode. Que seria muito mais satisfatório ver o filho nos tempos livres do que se responsabilizar o tempo todo.
Se você não entende o que ela quer dizer, ótimo, parabéns, você realmente deve ser extremamente satisfeita com a maternidade, mas se você entende sabe que ser mãe é cruel sim!
Ser mãe, na verdade, não tem muitos pontos positivos, não!
Nós somos julgadas constantemente, diga-se de passagem, pela repercussão desse vídeo.
Não é fácil ter que abrir mão de uma vida que você planejou, não é fácil ter que implorar para alguém te ajudar e a pessoa ainda reclamar dizendo não ser dela a responsabilidade. Você não pode pedir um tempo para si que já é apedrejada, já é a folgada, já reclamam que não dão conta. Mas você tem que dar conta sempre!
O pai? Ah, ele não consegue criar, vai ter que deixar com a avó, se for pra ficar com o pai (oi?), mas tudo bem, ele trabalha, ele é homem. Nós não, nós não trabalhamos, né? Não trabalhamos, não estudamos, não saímos. E, no fim das contas, nós não fazemos mesmo nada disso, porque o salário não compensa, porque não temos quem fique com nosso filho, porque não podemos.
Temos sempre que estarmos satisfeitas, felizes, nunca reclamar do quanto é difícil ser mãe.
Querer viajar e não poder. Querer assistir um filme e não poder. Querer simplesmente ver um programa de televisão e não conseguir.
Não vamos prolongar as abdicações, porque depois ainda nos chamarão de egoístas.
Você precisa ser perfeita em tudo. Na escola, se eu não tenho tempo para fazer a lição de casa com minha filha, a reunião de pais e professores se torna a reunião de crítica a tudo o que você é como mãe, até o que você escreve no seu próprio facebook é criticado pela diretora.
Você tem que estar presente em todas as apresentações, te forçam a isso, mesmo que sua própria filha não queira participar.
Você é obrigada a levar e buscar a criança, você é obrigada a estar em todas as reuniões escolares, você é obrigada a ser a mãe perfeita. Cadê a chinela limpa? Por que ela está sem o uniforme? Como assim o uniforme está manchado?
Nunca, nunca você serve. É impressionante.
Esses dias levei minha filha na natação e eu coloquei a touca torta... Ela não ficou retinha. Uma mãe falou "tem vezes que a gente não está com paciência, né?", eu respondi "mas eu estou com super paciência, estou ótima, super tranquila", ela me olhou com aquele olhar do tipo: então, como assim você não deixa a menina perfeita para a aula de natação?
Essa exigência que recai sobre nós, mães, é cruel!
Egoístas? Egoístas por termos vontades próprias?
Nós, mulheres, não nascemos para sermos mães, assim como os homens não nasceram para serem pais. Filhos deveriam ser uma escolha e, mesmo sendo, ainda assim não é fácil. Não é!
A realidade é essa, ter filhos é difícil. Não é fácil educar e criar uma criança. Se fosse, não existiram tantos livros, tantos programas de televisão e tantos projetos de lei, etc, etc. Tudo para tentar entender como criar uma criança e o que seria o certo e melhor para elas.
A maternidade não é um conto de fadas.
É tão absurda a forma como as mulheres são tratadas, em relação aos homens, que o homem busca e "fica" com o filho (na verdade, fica com a avó) somente no final de semana, mas tudo bem. Ele abre mão de ficar com a criança, mas tudo bem também. O homem não gosta de trocar fralda, mas tranquilo, normal. O homem não gosta de acordar a noite para ficar com o filho, mas é tranquilo. O homem não gosta de ter que colocar a criança para dormir, mas natural, não é sua obrigação. O homem, que gracinha, tem paciência para brincar com o filhão no sábado ou domingo, por algumas horas, mas a mãe não tem a semana toda porque é uma folgada. O homem não abre mão da cerveja no bar, mas o que é que tem?
Ele não precisa fazer um vídeo dizendo o quanto é difícil ter um filho, porque ele nunca entende o quão difícil é criar um filho.
Blá, blá, não generaliza. Tudo bem, paizão, fica de boa aí que não é contigo que estou falando, não é você quem estão condenando.
Eu não nasci para ser mãe. Se querem saber, me senti super representada pelas palavras daquela moça do vídeo.
Nós mulheres, mães, também temos sonhos. Nós também temos planos. Nós também temos expectativas.
Ninguém nos ajuda, ninguém fica com nossos filhos para que possamos sair (como se isso fosse crime), ninguém fica com nossos filhos para que possamos viajar, para que possamos estudar, ninguém nos oferece ajuda e ainda querem que estejamos sorrindo e agradecendo o tempo todo.
Nós também somos filhas. Se eles tem seus direitos, nós também deveríamos ter, porque nós também somos filhas.