quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Eu desisto

Eu preciso me distanciar deste blog,
confesso que com o passar dos anos se torna cada dia mais difícil ler o que já escrevi.
Ser mãe é muito difícil, não há receita e não tenho como escrever de forma pública, sem que influencie outras mães, e essa é uma responsabilidade muito difícil.
Tenho enfrentando, ao longo desses pouco mais de sete anos, situações que não se preveem e que não consigo enfrentar.
Se você enfrenta a maternidade sozinha, entende o que quero dizer.
Não posso falar pelas mulheres que são mães e que se encontram dentro de um relacionamento; a solidão materna a qual me refiro aqui é na condição de mulher solteira.
Sou constantemente julgada, recriminada, CALADA. Querem falar por nós.
As pessoas se sentem realmente na autoridade de falar por nós.
Elas se sentem verdadeiramente à vontade em falar por nós.
Mas vocês não podem, esse não é um espaço de quem não participa.
E não que antes não falavam, falavam sim. Mas isso me esgotou. Essa luta me esgotou.
Carrego comigo tantas lutas, mas fui calada. Vocês venceram.
Eu finalmente prefiro me calar.
Não consigo mais, não é mais saudável para mim lutar.
Eu desisti de lutar.
Nossa voz sempre será abafada, sempre será ruído, enquanto gritam conosco, olhando nos nossos olhos, gritam suas certezas, gritam seus julgamentos, gritam suas verdades nunca vividas e nem experienciadas, gritam sobre nós. Gritam, e gritam, e gritam de novo.
É um exercício constante de sofrimento e de frustrações querer denunciar a nossa realidade.
Eu cansei.
Mas não me cansei por tanto dizer, cansei de ser sufocada.
Meus dedos não conseguem mais engatilhar uma história, minha cabeça já não consegue mais lidar com isso.
Eu, que tanto já lutei, que tanto já me dediquei às nossas lutas, venho aqui exausta, só para dizer, eu não posso mais.
Mas não desistam de mim. Não desistam de nós. Por favor, não se calem.
Você, mãe, mãe que luta, mãe que vive a solidão materna, mãe que vive o preconceito, o julgamento, as certezas externas, não desista de mim.
Não que minha luta tenha cessado, eu só não aguento mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário